Justiça quebra sigilo telefônico de dupla que deu carona a motorista que atropelou três pessoas na SC-402 Reprodução / Instagram/Instagram

Sérgio Orlandini Sirotsky foi indiciado por homicídio simples, mas a polícia e o MP ainda buscam provas para robustecer os autos

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O Ministério Público Estadual (MPSC) pediu e a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônico de um homem e uma mulher que, segundo depoimentos, deram carona a Sérgio Orlandini Sirotsky, 21 anos, indiciado por homicídio simples por atropelar três pessoas na madrugada de 6 de agosto na SC-402, em Jurerê, norte da Ilha. Após a batida, Orlandini Sirotsky fugiu do local e só se apresentou à polícia três dias depois. 

O atropelamento matou Sérgio Teixeira da Luz Júnior, 23 anos, e feriu Rafael Machado da Cruz e Edson Mendonça de Oliveira. Sirotsky ainda responde no inquérito policial por lesão corporal. A quebra do sigilo visa obter informações trocadas pelo homem e a mulher que deram carona para o acusado depois que ele abandonou seu Audi A3 às margens da SC-401, já que em depoimento Sirotsky disse não conhecer as pessoas que o levaram para casa.

O despacho que autoriza o Instituto Geral de Perícias (IGP) a vasculhar o conteúdo das mensagens e gravações de áudios enviados pela dupla desde 6 de agosto foi assinado pelo juiz Renato Guilherme Gomes Cunha na última quarta-feira, dia 4 de outubro. O magistrado destaca “a imprescindibilidade da medida, visto que trata-se de importante diligência para elucidação do crime, razão pela qual deve ser autorizada a extração dos dados solicitada como necessária ao esclarecimento dos fatos delituosos”.

— Conforme relatado ao representante do Ministério Público, logo após os fatos, os declarantes, acompanhados de uma amiga, encontraram o investigado Sérgio, ocasião em que este supostamente teria pedido a eles uma carona. O conteúdo das mensagens e gravação de áudio enviados através do aplicativo WhatsApp teria relação com a situação que as testemunhas presenciaram naquela data, o que poderá trazer informações para elucidação do delito em apreço — expõe o magistrado ao conceder a quebra de sigilo telefônico, onde ainda estipula prazo de 15 dias para o IGP apresentar o laudo com os resultados. 

Cunha aponta que as informações constantes nas conversas auxiliarão a melhor entender o contexto em que se deram os fatos, mais especificamente qual era o estado do indiciado logo após os fatos. 

— Aprofundar as investigações, apurar a materialidade deste crime, punido com pena de reclusão, e identificar e punir seus autores é a única resposta que se pode dar a esta sociedade, que cada vez mais se vê perplexa com o número crescente de mortes no trânsito como o aqui apurado — expõe o juiz.

Mesmo já tendo indiciado Sérgio Orlandini Sirotsky, o delegado responsável pelo caso, Otávio Cesar Lima, da 7ª Delegacia de Polícia, receberá os autos do MPSC novamente para juntar provas. O promotor que ficará com o caso, Andrey Cunha Amorim, titular da 37ª Promotoria de Justiça, concedeu ao delegado uma dilação de prazo e espera ainda no mês de outubro ter o processo novamente em mãos para decidir se oferece ou não denúncia contra Sirotsky. 

Outro lado

O advogado Nilton Macedo Machado, que defende Orlandini Sirotski, disse já ter conhecimento do pedido de quebra de sigilo telefônico por parte da Justiça. Afirmou que aguardará o resultado da perícia e destacou que os alvos do pedido judicial não presenciaram o acidente, teriam apenas levado Orlandini Sirotski para casa. Nilton informa que juntou aos autos uma perícia particular contratada para tentar mostrar que seu cliente não estava acima do limite de velocidade. 

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