O negociador chefe europeu para o Brexit, Michel Barnier, expressou nesta quinta-feira (12) seu desejo de alcançar "avanços decisivos" nos próximos dois meses nas discussões da separação do Reino Unido, que atualmente estão bloqueadas na crucial questão financeira.

"Continuo convencido de que, com vontade política, avanços decisivos estão ao nosso alcance nos próximos dois meses", disse Barnier em uma coletiva de imprensa em Bruxelas após três dias de negociações com os britânicos sobre as condições do divórcio entre Londres e a União Europeia.

"Esta semana, trabalhamos em um espírito construtivo, esclarecemos alguns pontos, mas não fizemos nenhum passo importante", afirmou.

A liquidação financeira do divórcio, justo dos direitos dos cidadãos europeus e o destino da fronteira na Irlanda são as três questões prioritárias que a UE quer resolver antes de começar a discutir a futura relação, como deseja Londres.

Os mandatários europeus, sem sua par britânica Theresa May, preveem iniciar as discussões internas sobre o acordo comercial com o Reino Unido após o Brexit durante a cúpula prevista para 19 e 20 de outubro em Bruxelas, segundo um documento ao qual a AFP teve acesso.

Na terça-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que esperava ser capaz de fazê-lo em dezembro na próxima cúpula.

Essa segunda fase incluiria a discussão sobre um eventual período de transição de dois anos antes da saída do Reino Unido, em março de 2019, e sobre um acordo de livre-comércio entre ambos. Contudo, o negociador britânico pediu aos líderes para darem esse "passo em frente" na próxima semana.

- 'Ponto morto' financeiro -

Quase quatro meses após o início das negociações, a quinta rodada finalizada nesta quinta não progrediu significativamente, reconheceu o ex-ministro francês, que expressou sua preocupação com a questão financeira.

"Estamos com esta questão em um impasse que é extremamente preocupante", explicou ele, afirmando que "não há concessões de nenhum dos lados nesta questão".

O ministro britânico encarregado pelo Brexit, David Davis, reiterou a promessa da primeira-ministra britânica de respeitar seus compromissos com o orçamento da UE, mas alertou que um acordo sobre "compromissos específicos" só "pode chegar mais tarde".

O ministro de Finanças francês Bruno Le Maire disse, nesta quinta, que o Reino Unido precisa enfrentar as consequências de deixar o bloco.

"Eles não podem mais fingir que têm os benefícios da associação na União Europeia se não são mais membros da União Europeia", criticou Le Maire, num encontro anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Sobre a situação da fronteira entre Irlanda e a britânica Irlanda do Norte, Davis considera que isso não pode se resolver sem conhecer antes os acordos finais sobre "a situação aduaneira e o mercado único", dois aspectos da relação futura.

Outra das questões a resolver é como garantir os direitos dos cidadão europeus no Reino Unido. A UE considera que a jurisdição competente é o Tribunal de Justiça da UE (TJUE), que os britânicos não aceitam.

A questão dos direitos preocupa especialmente os europeus residentes no Reino Unido, sobretudo porque esse grupo foi um dos alvos da campanha pró-Brexit antes do referendo de 2016.

* AFP

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