Indicação de Nei Ascari para TCE é um movimento na hora errada Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Foi, no mínimo, um ato precipitado. A indicação do deputado Nei Ascari para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado já é visto como um dos movimentos mais atabalhoados dos caciques do PSD nos últimos anos. O efeito imediato pode ocorrer nas cortes em Brasília ou até mesmo atrapalhar os planos do partido para 2018. O acordo foi costurado diretamente entre o governador Raimundo Colombo, o agora ex-conselheiro do TCE Júlio Garcia e o deputado Gelson Merisio, presidente estadual do partido e pré-candidato ao governo do Estado. Vamos aos bastidores.

Desde que Colombo teve seu nome citado na suspeita de corrupção por conta das planilhas da Odebrecht, uma estratégia foi montada para que ele não seja denunciado pela Procuradoria-Geral da República por este crime, enquadrando-o somente em caixa 2. A expectativa no Centro Administrativo é de que a decisão pelo arquivamento das investigações do MPF contra o governador saia a qualquer momento.

O ponto fora da curva é que Garcia também apareceu em uma delação da empreiteira por ter supotamente pedido dinheiro para campanha de seu afilhado politico e agora sucessor no TCE. Ou seja, a prudência recomendaria que a nomeação de Ascari poderia ser feita sem traumas após confirmado o arquivamento do inquérito contra Colombo.

No entanto, agora, os investigadores da Lava-Jato poderão entender que os políticos catarinenses citados na operação estão se movimentando em Santa Catarina e resolvam endurecer o jogo novamente. Seria um balde de água fria nas aspirações do governador com reflexo em todo o PSD e até mesmo nas composições para o próximo ano.

Para o grupo que se considera extremamente hábil na arte de mexer as peças no tabuleiro, há quem veja a saída repentina de Garcia do TCE como quase amadora. Sem contar a enxurrada de críticas nas redes sociais à nomeação vapt-vupt do deputado, comparada ao velho coronelismo praticado por este Brasil afora. Não é ilegal, mas longe de ser defensável moralmente. O time estava garantindo um empate fora de casa, mas errou o tempo da bola e cometeu pênalti aos 48 minutos. Agora é torcer para que o goleiro defenda.

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