Acate inova para acelerar o setor tecnologia de SC Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Num futuro não muito distante, o setor de tecnologia deve se tornar o mais importante da economia catarinense. Pela base de empresas já instaladas – mais 3 mil, que faturaram em 2015 perto de R$ 12 bilhões -  e passos que estão sendo seguidos, SC é o Estado que tem maior potencial para alcançar esse diferencial, cuja referência mundial é o Vale do Silício, na Califórnia, EUA. Entre as lideranças que têm essa convicção está o presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), Daniel Leipnitz, que iniciou na noite desta sexta-feira, na festa de fim de ano da entidade, a divulgação de um novo posicionamento estratégico para o setor voar mais alto. Entre as mudanças, vem aí novo nome, nova marca, maior atuação no Estado e maior projeção nacional e internacional.  

A entidade que representa o setor passa a se chamar Associação Catarinense de Tecnologia, vai ampliar presença no Estado emprestando o nome para mais sete centros de inovação, criará duas novas verticais, fará mais parcerias com empresas de outros setores, fortalecerá a comunicação nacional e internacional e buscará mais interação com outras instituições.
Esse destaque e potencial atuais resultam de mais de 30 anos de trabalho. 

Diante do sucesso do centro de Inovação Acate Primavera, em Florianópolis, a entidade vai emprestar o nome e ser parceira na gestão de mais sete centros de inovação no Estado que abrirão no ano que vem. Serão três na Capital – no Sapiens Parque, Edifício D/One no Centro e no edifício redondo do bairro Itaguaçu (onde era o DC) – mais quatro nas cidades de São José, Itajaí, Joinville e Blumenau. Desses, seis serão parcerias com investidores privados e um, de Itajaí, ficará no Centro de Inovação do município. Também serão criados mais três Link Labs para parceiras com empresas de outros setores e duas novas verticais: uma de Retail (soluções para o varejo) e outra ao setor de construção civil. 

A aproximação e trabalho conjunto com entidades também está entre as prioridades, diz o presidente da Acate. Além do que já existe, serão buscadas mais aproximações no Estado, Brasil e exterior. Sobre a presença internacional das empresas, ele é otimista.  

— As exportações do setor, hoje, são muito tímidas percentualmente, mas o mindset (modelo mental) das startups que nasceram nos últimos 5 anos no Estado é de ter visão e atuação globais — afirma.

Outro objetivo de tornar o ecossistema de inovação catarinense mais conhecido lá fora é para facilitar a captação de recursos de investidores estrangeiros. Isso já tem acontecido com empresas como a Neoway, Resultados Digitais e Conta Azul, que são investidas pelos principais fundos globais do setor. 

Apesar de forte em Florianópolis, Blumenau e Joinville, o setor de tecnologia avança em todas as regiões e vai acelerar com o início de operação dos 13 centros de inovação que o governo do Estado está construindo em parceria com prefeituras. Conforme Leipnitz, polos econômicos com menor tradição no setor têm registrado maior crescimento no número de empresas. 

A Acate, que nasceu na Capital, vem fazendo uma aproximação com entidades do setor de outras cidades há dois anos e a decisão de todos é pela união para fortalecer o Estado. Se houver sintonia das entidades envolvidas e foco nas soluções de problemas, o futuro do setor de tecnologia de SC será ainda mais promissor do que o presente, que gera mais de 47 mil empregos diretos no Estado, com salários acima da média. Vai viabilizar maior desenvolvimento econômico e social direta ou indiretamente a todos catarinenses.

Foco na prevenção
Em breve o centro tecnológico que a Philips mantém em Blumenau vai começar a desenvolver novos softwares para atender a área pública de saúde. A ideia é abranger toda a cadeia do setor, com soluções para atenção primária, gestão e medicina preventiva. Serão produtos pensados para reduzir despesas ligadas à assistência e ao tratamento dos pacientes, explica Evandro Garcia, diretor de vendas, marketing e serviços da multinacional holandesa para a América Latina.

– Hoje os custos não param de aumentar e a capacidade de financiamento é cada vez menor para a saúde – justifica o executivo.

Inaugurado em junho de 2016, o polo blumenauense da empresa passou por uma ampliação recentemente. Uma nova área de 2,5 mil metros quadrados – já prevista no planejamento inicial – foi entregue no início de setembro. Mais 100 funcionários foram contratados, elevando o quadro para 608. O carro-chefe da unidade é o Tasy, software de gestão para hospitais e clínicas criado pela Wheb Sistemas, empresa local comprada pela Philips em 2010. Dali a solução é comercializada para clientes da América Latina, Europa e Ásia.

Energia alternativa
A Votorantim planeja aumentar a geração da energia alternativa que abastece a sua fábrica de cimento em Vidal Ramos, no Alto Vale. A meta é garantir que, em cinco anos, 60% do combustível usado no processo de produção venha de resíduos industriais, como restos de pneus, biomassas e matérias-primas não renováveis – hoje esse índice está em 35%. Para isso, serão investidos entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.Inaugurada em 2011, a fábrica de 190 mil metros quadrados tem capacidade para produzir 750 mil toneladas de cimento por ano e abastece os mercados catarinense e gaúcho. Apesar de não estar entre as maiores plantas do grupo no Brasil – são 37 ao todo –, a unidade é considerada internamente uma das mais eficientes, com baixo índice de ociosidade. Ali trabalham cerca de 250 pessoas, 90% delas moradoras do próprio município.

A VISÃO DOS COLUNISTAS:
PIB do país subiu 0,1% no 3º trimestre deste ano

CLAUDIO LOETZ

O Brasil entrou na rota do crescimento sustentado? A julgar pelo anúncio do IBGE indicando crescimento do PIB em apenas 0,1% no terceiro trimestre, a resposta é: - ainda não. 

Lógico que a curva descendente já não existe mais, e a percepção de ânimo positivo vem se generalizando entre industriais, varejistas e agentes do mercado financeiro. Se a expansão da riqueza nacional apurada pelo governo desencantou aqueles que cantavam alta de 0,3% a 0,4% para o período julho-setembro, há, também, algo de novo a comemorar. 

Trata-se do lento e gradual descolamento da economia brasileira do ambiente negativista de trimestres e anos passados. Entramos num ciclo ascendente de negócios no setor da indústria. E isso é uma ótima notícia porque o dinamismo de uma sociedade, como a nossa, ainda depende bastante do que ocorre nesta área. É importante notar, também, que os investimentos retornam de forma mais consistente. E apresentaram seu melhor resultado desde a metade de 2013. 

Dirão alguns que a comparação é com o momento pré-crise. Verdade. Mesmo assim, é sinal de que evoluímos. E, noutro olhar, o consumo se reanima. O contraponto ruim é a agropecuária caindo fortemente , depois de ter garantido bons indicadores no passado recente.

ESTELA BENETTI

Os números tímidos do PIB nacional do terceiro trimestre permitem concluir que a economia catarinense está num ritmo melhor do que o do país este ano. Enquanto no terceiro trimestre o Brasil cresceu 1,4% frente aos mesmos meses de 2016, Santa Catarina, de janeiro a setembro, avançou 3,14% em relação aos mesmos meses do ano passado pelos dados do IBCR-SC, considerado prévia do PIB apurada pelo Banco Central.

Uma informação importante do PIB nacional foi o crescimento de 1,6% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) frente ao trimestre anterior após 15 resultados negativos nessa comparação. Isso mostra crescimento na compra de máquinas e equipamentos e expansão da construção civil, confirmando a volta dos investimentos, decisiva para a retomada de um maior nível de emprego.

PEDRO MACHADO

Entre tantas questões envolvendo a economia brasileira, foi uma de cunho político a única que arrancou um sorriso amarelo do sisudo Henrique Meirelles durante sua passagem pela Fiesc na sexta-feira. O ministro da Fazenda parece se esforçar para esconder o ânimo em torno das especulações de uma eventual candidatura à presidência no ano que vem. Durante coletiva concedida a jornalistas depois de uma palestra em que abordou indicadores econômicos, Meirelles admitiu que o "o número de pessoas que me dizem coisas similares é muito grande". 

De fato, o perfil técnico e o compromisso com o ajuste fiscal é visto com bons olhos pelo mercado financeiro. Mas apenas isso parece não bastar. Faltam ao ministro estrutura política, palanque político e, sobretudo, mais carisma para angariar votos.

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Foto: Arte DC


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