O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender, nesta sexta-feira (1º), a construção do muro na fronteira com o México, furioso com a absolvição do imigrante ilegal mexicano acusado de matar uma jovem americana, em um caso emblemático contra a imigração ilegal.

"Sua absolvição é uma completa paródia da justiça. CONSTRUAM O MURO!" - escreveu o presidente no Twitter.

"Não disseram ao júri que o assassino de Kate já havia cometido outros sete crimes", insistiu.

Foi deportado, mas continuou voltando para os Estados Unidos pela fronteira para "cometer mais crimes e violência", disse Trump.

Na quinta-feira (30), um tribunal de San Francisco absolveu o imigrante ilegal mexicano José Inés García Zárate da acusação de assassinato de Kathryn Steinle, de 32 anos.

García Zárate já havia sido deportado cinco vezes e voltado para os EUA quando ocorreu o incidente envolvendo Steinle, em julho de 2015.

O caso de Zárate era citado por Trump como um exemplo da violência praticada por imigrantes ilegais e para criticar as chamadas "cidades santuário", que não cooperam com as agências federais em matéria de migração.

O tiro que matou Steinle partiu de uma pistola que García encontrou envolvida em um pano. A defesa argumentou que a arma disparou quando ele a deixou cair por acidente e a bala ricocheteou no concreto antes de atingir a mulher pelas costas na área turística do Pier 14.

A arma havia sido roubada uma semana antes do automóvel de um agente federal, o qual a Polícia não conseguiu vincular ao acusado. Na época, ele vivia nas ruas.

Zárate García foi condenado apenas por posse ilegal de arma, um crime passível de 16 meses a três anos de prisão, o que já cumpriu quase totalmente.

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) anunciou que irá deportá-lo assim que sair em liberdade. Nesta sexta-feira, já emitiu uma ordem para sua prisão.

"Um veredicto vergonhoso no caso de Kate Steinle!", tuitou Trump na noite de ontem.

"Não é surpreendente que as pessoas do nosso país estejam irritadas com a imigração ilegal", acrescentou.

Em 2015, Trump disse durante uma entrevista ao canal CNN, que García Zárate, atualmente com 45 anos, era um "animal que matou uma maravilhosa, linda mulher".

"Este cara já havia sido expulso para o México, mas o México nos envia novamente pela fronteira criminosos, narcotraficantes", completou.

O caso reavivou o debate sobre as "cidades santuário", como San Francisco, que se negam a cooperar com as agências federais em matéria de migração.

A morte de Kathryn Steinle também levou a Câmara de Representantes a aprovar um projeto de lei que impunha restrições de acesso a fundos federais para as "cidades santuário", e outro que endurecia as penas de prisão para imigrantes que retornaram ilegalmente aos EUA após sua deportação.

A segunda legislação recebeu exatamente o nome de "Lei de Kate", em referência ao caso. Os dois projetos foram barrados no Senado.

* AFP

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