Seis recém-nascidos que recebiam respiração assistida morreram após uma falta de luz no hospital onde eram atendidos, no sudeste da Venezuela, denunciaram neste sábado (17) uma testemunha e um deputado da oposição.

Os óbitos foram registrados na quarta-feira passada no Hospital Pediátrico Menca de Leoni, de San Félix (a 670 km de Caracas), disse à AFP Jesús Hernández, membro de um grupo de voluntários que arrecada insumos médicos - em grave escassez - para doar.

A falta de luz durou quatro horas, afirmou.

O caso foi confirmado pelo médico e legislador opositor José Olivares.

"Ao meio-dia de 14 de fevereiro ocorreu uma falha elétrica e o gerador não foi ativado porque está danificada. Na área de terapia neonatal havia seis crianças ligadas à ventilação mecânica porque nasceram com afecções pulmonares", contou o voluntário.

Quando o gerador não ligou, "os médicos e pais começaram a fazer ventilação manual, e assim estiveram durante quatro horas. Infelizmente, começaram a se complicar e os seis bebês que dependiam de respiração mecânica faleceram", acrescentou.

As autoridades não se pronunciaram a respeito.

Segundo Hernández, no hospital onde se deu o caso ocorrem duas faltas de luz por dia, "apesar de que o estado de Bolívar (onde fica San Félix) abriga a hidrelétrica do Guri, que gera 70% da energia do país".

"Quem responde por estas mortes? Deveríamos poder garantir embora seja a eletricidade em todos os hospitais do país", escreveu no Twitter o deputado Olivares.

Em meio à crise da saúde, com escassez crônica de remédios e insumos médicos, a mortalidade infantil aumentou 30,12% em 2016 frente a 2015 (11.466 óbitos de menores de um ano), segundo a mais recente cifra oficial.

Os cortes de eletricidade são frequentes em várias regiões, inclusive em Caracas. O governo costuma atribuir as falhas a "sabotagens", mas a oposição assegura que se deve ao mau estado da infraestrutura pela negligência e pela corrupção oficial.

* AFP

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