Pancho: Equipamentos que monitoram chuva e nível do rio no Vale estão sem manutenção desde o início do ano Mariana Furlan / Agência RBS/Agência RBS

Equipamento que mede o nível do rio Itajaí-Açu em Blumenau está na ponte Adolfo Konder, no Centro

Foto: Mariana Furlan / Agência RBS / Agência RBS

  • Desde a fundação de Blumenau passamos, de acordo com os registros oficiais, por mais de 90 enchentes. Algumas, como as de 2008, 1984, 1983 e 1911, foram traumáticas para o desenvolvimento social e econômico do Vale do Itajaí. Nem passando por tudo isso aprendemos – em especial o poder público – a lidar com a prevenção como deveríamos.

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    Saibam todos que o Centro de Operação do Sistema de Alerta da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu (Ceops) está, uma vez mais, sem dinheiro para manutenção das 17 estações telemétricas instaladas no Médio e Alto Vale do Itajaí. Duas nem sequer funcionam, em Indaial e Benedito Novo. Nas demais, é bem provável que a medição da quantidade de chuva que caiu esteja errada, já que a falta de manutenção compromete a confiabilidade do sistema.

  • Cheia pode ter sido maior

  • Aqui em Blumenau, o equipamento que faz a medição do rio Itajaí-Açu na ponte Adolfo Konder deixou de transmitir as informações às 10h de segunda-feira, dia 29, e só voltou a funcionar às 2h da madrugada de quarta-feira. Depois não funcionou mais. Só hoje um técnico vai ao local verificar o que aconteceu e se será possível recuperar os dados.

    A medição do rio nesta enchente só foi possível, de acordo com o coordenador do Ceops, Dirceu Severo, graças a um radar da Agência Nacional de Águas (ANA) instalado na mesma ponte. Ainda assim, não se sabe se esse aparelho estava regulado para isso. Dirceu diz que pode haver uma diferença de até 10 centímetros. Ou seja, o pico de 8,71 metros, na realidade, pode ter sido até 10 centímetros maior ou menor. Se os dados do sensor oficial forem recuperados, saberemos.

  • R$ 5 mil por mês

  • Desde 2015 até dezembro do ano passado o Ceops vinha recebendo R$ 5 mil por mês da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi), graças a um convênio firmado entre as partes. O acordo ainda não foi renovado e nenhuma manutenção preventiva foi feita nas estações neste ano.

    O pedido de renovação já foi encaminhado à Ammvi. Como o governo do Estado acenou com a possibilidade de bancar a despesa, a renovação ainda não foi votada na assembleia da associação dos municípios. Isso só deve ocorrer na segunda quinzena de junho, depois de uma resposta do governo, que avalia a despesa. Enquanto isso, o reitor da Universidade Regional de Blumenau (Furb), João Natel, garantiu que a entidade vai pagar os reparos mais urgentes. O dinheiro deve ser liberado em breve. O Ceops funciona na Furb.

  • Experiência ajuda

  • Enquanto esse irresponsável descaso gerado pela falta de R$ 5 mil por mês se propaga, contamos com dados capengas e com a valorosa experiência dos técnicos do Ceops. Graças aos anos de cálculos e convivência com épocas de chuva e enchente eles são capazes de fazer cálculos precisos, mesmo com dados não confiáveis. Ou seja, sabendo que aquilo não funciona como deveria, toda a carga de sabedoria reunida ao longo dos anos é capaz de calibrar, para mais ou para menos, os resultados fornecidos pela matemática com base duvidosa.

    A diferença, desta vez, foi de um centímetro. Se confirmada a medição de 8,71 metros. Só nos resta agradecer aos técnicos. Os políticos estão em dívida conosco.

  • Barragem à deriva

  • O mesmo descaso ocorre com a barragem de José Boiteux, invadida por índios desde 2014. Há um conflito por terras e desde então eles ocupam a estrutura impedindo que qualquer manutenção e operação ocorram. Estamos sem a devida proteção e sem informação. Se tudo estivesse funcionando como deveria, provavelmente essa enchente teria impactos menores em toda a região do Vale do Itajaí.

    Até quando vamos ter que aturar esse tipo de descaso? Até quando teremos que dar atenção à prevenção só quando chove forte? Isso passa dos limites. É certo que o governo estadual aumentou as barragens e tem feito melhorias na bacia de olho na prevenção, mas deixar o monitoramento capenga por causa de R$ 5 mil por mês, seja de quem for a responsabilidade, beira o absurdo.


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