A localização pela Polícia Militar de mais uma vítima de assassinato no Morro do Mosquito, em Florianópolis, em área de matagal, expressa o cenário alarmante de mortes violentas na Capital. Seria o quinto corpo encontrado pela polícia no mesmo local este ano, o que praticamente configura a existência de um cemitério clandestino do crime no norte da Ilha de Santa Catarina.

Situado na região da Vargem do Bom Jesus e dos Ingleses, o Morro do Mosquito fica em um triângulo de espaços conflagrados por facções criminosas que notadamente estão barbarizando com a violência. O triângulo, conforme ilustram policiais, começa com a Papaquara, vai para a Vila União e termina no Siri. No meio desse desenho imaginário está o Mosquito, considerado uma arapuca para criminosos rivais da facção de São Paulo e que caem ali e são executados.

A vítima achada na quarta-feira estava dentro de um latão, no mato, no final da rua João Simplício da Costa. O corpo estava carbonizado. Isso significa que foi alvo do chamado crime do microondas, terror que começou com traficantes no Rio de Janeiro para causar pânico na "lei paralela de julgamento" e não deixar vestígios.

O entorno do Mosquito tem características de um lugar de preservação. Haveria até uma caverna na área. Só que está totalmente dominado pelo crime, moradores convivem com medo imposto sob pena de morte. A polícia tem dificuldades para agir, pois fica no alto e traficantes conseguem ver facilmente a chegada dos policiais.

A instalação de câmeras nos acessos e ainda na SC-403 poderia contribuir com a prevenção e monitoramento. Enviar mais policiais para a região é outra necessidade - o norte da Ilha espera o reforço de 90 novos PMs diante da formatura de mais de 900 este mês no Estado. Mas incremento de efetivo não basta. O Estado, a prefeitura e o poder público precisam se fazer presentes nas comunidades, levando infraestrutura, educação, oportunidades, lazer, cidadania, regras, leis, respeito e paz. 


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