Aposentado que criava 48 gatos em casa é ferido pelos animais e internado em Biguaçu Maurício Vieira/

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Foto: Maurício Vieira

A paixão pelos gatos afastou o policial militar aposentado Hélio de Freitas, 82 anos, da própria casa, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. Três dias antes do Natal, ele adoeceu e teve de ser retirado da residência.

Hélio de Freitas vivia sozinho. Tinha em casa 48 gatos e três cachorros. Separados pelo sexo, os animais vivem presos em viveiros e nos cômodos da casa. Os mais bravos ficam amarrados em correntes e alguns — os preferidos — circulam livremente pelo interior da residência.

Cinco deles dormiam no pequeno quarto, com o dono. No quintal, um cemitério de gatos já reúne mais de 30 animais mortos. Impressionados, os vizinhos tentam encontrar explicações para tanto apego: o aposentado chegou a ressuscitar um dos animais no ano passado, fazendo respiração boca-a-boca por mais de uma hora.

O aposentado adoeceu depois de ter sido atacado nas pernas por um dos bichanos e não tratou do ferimento. Quando foi encontrado por um vizinho, nem levantava da cama e mal conseguia falar. Foi levado às pressas ao Hospital da Polícia Militar, com ferimentos infeccionados e numa situação muito precária, que impressionou os médicos.

— Este não é mais um problema só dele. É uma questão de saúde pública, porque afeta toda a vizinhança. Ele não pode mais voltar a viver nestas condições — comenta o médico veterinário da Vigilância Epidemiológica do município, Gilnei Gomes Garcez.

Paixão por gatos dura 20 anos

A história de amor de Hélio Freitas pelos animais começou há mais de 20 anos, desde a morte da mulher. Sem ela e sem o filho, com quem não mantém contato, ele combateu a solidão na companhia de Luizinho, Nelsinho, Belinha, Huguinho e Benvindi e outros gatos.

Apaixonado pelos animais, o aposentado pergunta diariamente por eles no hospital. Nos primeiros dias, se recusava a ficar longe. Hoje, conformado, apenas pede às enfermeiras para que telefonem aos vizinhos e os lembrem de alimentá-los.

— Ele não é um paciente problemático, é um amor de pessoa. Mas a única preocupação que tem aqui no hospital é com os gatos e se estão sendo bem tratados — conta a assistente social Elisabeth Cantelli.

Até que o hospital localize algum parente, o aposentado permanecerá na unidade de saúde. 

— Ele é lúcido, muito inteligente e apenas sofre problemas decorrentes da idade. Mas não sabe que não voltará mais a viver com os animais. Precisamos prepará-lo com paciência, caso contrário, ele não irá aceitar — comenta Elisabeth Cantelli.

Na tarde desta quarta-feira, uma equipe da Vigilância Sanitária e Epidemiológica esteve no local para fazer uma avaliação do caso. Encontrou apenas dois gatos doentes, que devem ser sacrificados nesta quinta-feira.

Os demais serão encaminhados para adoção. A Vigilância Sanitária informou que todos são bem cuidados. Quem tem interesse em adotar algum pode ligar para (48) 3243-5473.
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