Livros para ensinar e enturmar Mauricio Vieira/

Acervo de 2,8 mil títulos estava meio esquecido até que diretoria lançou a alunos, professores e funcionários desafio de 15 minutos de leitura na semana

Foto: Mauricio Vieira

A Escola de Ensino Fundamental Marechal Rondon, de Criciúma, encontrou uma maneira envolvente para melhorar o movimento na biblioteca e integrar mais os estudantes: um projeto de leitura, pelo qual procura despertar e aprimorar o gosto por livros, revistas e jornais entre os 290 alunos.

A primeira etapa, explica a diretora, Silvana Farias, começou com a distribuição de nomes de autores de livros que já estavam na biblioteca da escola. As turmas se organizaram para apresentar a história de mestres como Ziraldo, Pedro Bandeira e Cecília Meirelles em forma de dramatizações, músicas e poemas.

— Ficamos surpresos com o resultado. Os alunos se apropriaram das leituras, mergulharam na história de vida e particularidades de cada autor. Muitos deles superaram barreiras na vida por meio da leitura e da escrita. Queremos superação na escola também — observa Silvana.

Dificuldade

De acordo com a supervisora escolar Silvana Bristot, o projeto teve início diante de reclamações dos professores a respeito de alunos que não sabiam interpretar textos e se expressavam mal em sala.

— O entusiasmo dos professores contagiou todos os alunos. Agora, eles estão cada vez mais próximos dos 2,8 mil livros disponíveis na instituição — diz a supervisora.

A professora Aline Mendes, 26 anos, aprovou o projeto. Ela defende que a sua disciplina, geografia, precisa de leitura tanto quanto as outras. O que é bom, acredita, pode fi car ainda melhor.

— Eles precisam melhorar a compreensão do conteúdo, ler mais para nos dar respostas melhores em sala de aula e desenvolver os textos com vocabulário mais rico. Ler é importante para pensar melhor e ter uma visão de mundo mais ampla. O diálogo melhora quando se lê — reforça.

A segunda etapa do projeto de leitura começa até o fi nal deste mês.

A proposta da escola é que todos os alunos e funcionários parem, semanalmente, durante 15 minutos para se dedicar à leitura de qualquer gênero literário. A diretora pretende nem atender aos telefones durante a pausa literária para cumprir a meta.

Histórias bem contadas

A professora do terceiro e quarto anos Edilceia Freitas sabe apontar entre seus alunos e ex-alunos quem tem o gosto pela leitura. A tática é observar quem sorri e se envolve com o livro enquanto o tem nas mãos. É assim que ela nota as mudanças.

A estudante Ana Paula Palhano, 10 anos, é uma delas. Antes de participar do projeto, não lia livros com mais de 30 páginas ou não avançava dessa média na leitura. Agora, comemora o interesse em publicações acima de cem páginas.

— Sentia inveja do meu irmão de 19 anos, que adora ler. Passei a me interessar por histórias maiores e consigo ler até dois livros por mês — conta a garota.

A colega Rafaela Figueiredo Corrêa, 10 anos, se interessou pela história de Pedro Bandeira porque o próprio autor gostava de ler Monteiro Lobato. A aluna, dizem os professores, é uma “devoradora” de livros. Organizada, ela lê, ao mesmo tempo, até quatro publicações. Rafaela acredita que a maior vantagem nas leituras é aprender palavras novas para se livrar das gírias.

— Melhorar a linguagem não é fácil. Às vezes, penso a palavra correta, mas quando percebo falei outra gíria no lugar — reconhece.

O incentivo da mãe também conta muito para que Bruno José Zelinger, 12 anos, preencha a carteirinha da biblioteca com empréstimos de livros. De Ziraldo, passaram por suas mãos 10 livros. O preferido é Uma Professora Muito Maluquinha.

— Minha mãe também gosta de ler e ganho livros dela. Toda hora é boa para ler — ensina.
 Veja também
 
 Comente essa história