A volta de Aécio Neves ao cenário político, após férias de quase 30 dias no Exterior, reacende no PSDB a perspectiva de formar uma chapa puro-sangue em torno da candidatura presidencial de José Serra. Embora os tucanos operem a aliança com o PP, de Francisco Dornelles (RJ), a ação em prol da união com o mineiro voltou a dominar a agenda.

Serra e Aécio mergulharão em uma agenda comum no final deste mês e início de junho em Minas, segundo maior colégio eleitoral brasileiro. Antes de deixar o país de férias, Aécio conduziu pessoalmente pacto com PSDB, DEM e PPS. Os três partidos comprometeram-se a não mencionar o nome dele para o cargo de vice-presidente até o dia 22, data de seu retorno.

Aécio chegou a pedir a interlocutores que segurassem agendas de Serra no Estado enquanto estivesse fora. Está prevista a ida dos dois a encontros sobre agronegócio no dia 31, em Uberaba. Organizado pela Confederação Nacional da Agricultura e pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, o evento terá como objetivo colar os tucanos na agenda dos produtores rurais.

Na semana seguinte, os dois cumprirão maratona em Montes Claros, quando discutirão políticas para o semiárido mineiro, uma das regiões mais carentes do país. A expectativa no PSDB é de que, nestes encontros, voltem a falar sobre a chapa.

Para os tucanos mineiros, a discussão sobre a vice passa pelo poder de "sedução" de Serra, ou seja, uma sinalização efetiva de que, se eleito, usará o seu capital político para promover reforma que acabe com a reeleição e estabeleça o mandato de cinco anos.

Serra já disse publicamente ser contra a reeleição. Segundo interlocutores de Aécio, o ex-governador pode se balançar com a tese se Serra estiver bem nas pesquisas de intenção de voto e se houver o compromisso do paulista de fazê-lo seu sucessor.

— Serra tem que convencer Aécio, insistir na questão dos cinco anos e dar garantias. Um convite bem conduzido pode ter êxito— disse um aliado do mineiro.

Aécio tem dito reiteradas vezes que pretende disputar o Senado. A declaração leva em consideração duas variáveis: a primeira, de que tem luz política própria e que uma vaga no Palácio do Jaburu seria pior que uma atuação no Senado. A outra de que, caso Dilma Rousseff vença a eleição, ele, no Senado, se tornaria a grande referência da oposição e o nome natural em 2014. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo. 
AGÊNCIA ESTADO
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