Número de professores com licenciatura é cada vez menor na rede de ensino de Joinville Fabrizio Motta /

A professora de física Márcia Siewert está descontente com o salário

Foto: Fabrizio Motta

Dez a cada 30 professores de química, física e sociologia do ensino médio das escolas estaduais de Joinville não passaram por um curso de licenciatura nestas áreas, assim como 10% dos professores das demais disciplinas.

Estes números revelam um problema nacional que atinge também a cidade: a escassez de profissionais especializados para dar aulas em matérias como geografia, inglês e artes.

O problema é mais evidente na rede pública, onde os salários e as condições de trabalho fazem da sala de aula um campo de trabalho pouco atrativo.

— Entre cursar a licenciatura e o bacharelado, muitas vezes eles optam pelo segundo porque veem mais oportunidades. Mas a formação pedagógica trazida pela licenciatura é essencial —, destaca a pesquisadora Maria Aparecida Lapa de Aguiar, da Universidade da Região de Joinville.

Segundo a pesquisadora, a falta de professores com licenciatura pode trazer problemas para os alunos.

— O conhecimento técnico do engenheiro e do médico é importante, mas a formação pedagógica só é possível por meio da licenciatura —, diz.

— Como está cada vez mais difícil encontrar profissionais formados, a solução tem sido contratar, em caráter temporário, professores de áreas afins e bacharéis para não deixar nenhuma turma sem professor —, diz a supervisora de desenvolvimento humano da Gerência Regional de Educação, Ieda Medeiros.

— Formados em biologia dão aula de química; professores de história ensinam sociologia —, exemplifica.

A professora de física Márcia Siewert é um exemplo. Ela é uma das poucas formadas em licenciatura em física pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) a atuar na rede pública.

— Eu gosto do que faço, mas um estagiário de engenharia e até um funcionário que só fez o ensino médio ganha mais, por isso penso em voltar para a universidade e fazer engenharia —, diz.

— Meu salário, líquido, é de cerca de R$ 1 mil por mês para trabalhar como temporária, em três escolas estaduais —, diz.

AN.COM.BR
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