Santa Catarina deixou de ser o Estado com a melhor educação pública do país de 5ª a 8ª séries (ensino fundamental) e no ensino médio, na avaliação da rede estadual. Agora, o Estado ocupa a segunda posição nos dois casos, conforme dados apontados pelo Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb) de 2009, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC).

O secretário da Educação, Silvestre Heerdt, diz que a perda de liderança preocupa e admite que o Estado teve a sua parcela de culpa.

— Os outros Estados podem ter sido mais competentes e investido mais no aprendizado dos alunos. Nos descuidamos em alguns aspectos— afirma.  Ele afirma que a perda da liderança será encarada como um desafio, com investimentos para reverter o quadro.

O Diário Catarinense fez um recorte dos dados para retratar com mais precisão o atual cenário do ensino público estadual. Mesmo tendo aumentado as notas de 5ª a 8ª séries (de 4.1, em 2007, para 4.2 no ano passado), Santa Catarina ficou atrás de São Paulo.

No ensino médio, a nota diminuiu de 3.8 para 3.7 e o vizinho Paraná abocanhou a primeira colocação. As notas das séries iniciais, apesar de terem crescido de 4.7 para 5.0, mantiveram o Estado no quinto lugar, o mesmo desde o início da aferição, há cinco anos.

Para reconquistar o primeiro lugar no ranking, Heerdt defende uma mudança de postura na forma de educar.

— A sala de aula deve deixar de ser um espaço onde se ensina para se tornar um espaço onde se aprende.

Políticas públicas

O doutor em Educação e diretor do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Wilson Schmidt, entende que a avaliação reflete a insuficiência dos esforços feitos em políticas públicas para melhorar a educação. Para ele, a municipalização do ensino não é o caminho porque ignora as peculiaridades individuais de cada município. Não há como tratar igualmente os desiguais, afirma.

— O regime de colaboração, no qual prefeitura e governo estadual assumem juntos o ensino fundamental, é uma manifestação da sociedade para investir na educação.

As projeções estipuladas pelo Inep até 2021 devem ser superadas no Estado, afirma o secretário de Educação. Heerdt considera as metas como um índice mínimo para ser alcançado no ritmo normal de crescimento. Incentivo à leitura, com a compra de coleções de livros, investimentos em computadores e estímulo à presença dos pais na escola são algumas medidas adotadas para que as escolas catarinenses continuem batendo as metas. 

Norte no topo

Joinville tem o melhor ensino fundamental do Estado, segundo o índice divulgado pelo MEC, que leva em conta a aprovação e o desempenho dos alunos em matemática e língua portuguesa.

Entre as dez escolas catarinenses melhor avaliadas pelo ensino oferecido na séries iniciais, sete são da maior cidade catarinense. Destaque para a Escola Presidente Castello Branco, localizada no bairro Boa Vista. Ela é primeira colocada no ranking estadual de 1ª a 4ª série (2º ao 5º ano), com índice de 7,8.

A cidade também obteve um bom desempenho entre as séries finais do ensino fundamental. Seis escolas municipais joinvilenes estão na lista dos dez colégios do Estado com os maiores índices no Ideb 2009 de 5ª a 8ª série (6º ao 9º ano), entre elas a segunda colocada: Pastor Hans Muller, com 6,6. Notas, que para a realidade brasileira, equivalem a um "dez com estrelas". Isso porque estão muito acima das metas do MEC.

— Mais importante do que a colocação no ranking, é o avanço da grande maioria das escolas em relação a 2007, quando a média da rede municipal foi de 5,5 — ressaltou a gerente de ensino da secretaria da Educação de Joinvile, Rosânia Campos.

Ensino fundamental

Já a melhor escola de Santa Catarina de 5ª a 8ª séries fica em São José do Cedro, no Extremo-Oeste: o Centro Municipal de Educação Girassol. A diretora Karen Figueiró Ludwig atribui o sucesso das notas à parceria perfeita entre pais e professores.

— Todos se engajam para que os alunos sejam beneficiados. Os pais estão sempre na escola, acompanham os filhos de perto e participam de festas e assembleias. Os professores usam a multimídia e dão o seu melhor para que os alunos realmente aprendam o conteúdo — conta.

Quando os alunos não entendem algo, os professores mudam a metodologia de ensino para facilitar o aprendizado. Os 460 estudantes do maternal à 8ª série contam com 15 salas de aula equipadas com aparelhos DVD e sinal wireless. A tecnologia é utilizada para prender a atenção do aluno. Só o livro e a apostila bitolam o aluno, complementa a diretora.

Interior do Estado tem melhor desempenho

As cidades com melhores colocações no Ideb 2009, considerando o ensino público estadual, estão no interior do Estado. Nas séries iniciais (1ª a 4ª), Meleiro, no Sul, desponta em primeiro lugar. Entre as maiores cidades do Estado, Chapecó fica como uma das mais bem colocadas, na posição 13ª. Joinville e Blumenau empatam em 14ª; Criciúma fica na 15ª colocação e Florianópolis está em 18ª.

Nas séries finais (5ª a 8ª), Lacerdópolis, no Meio-Oeste, ocupa a primeira posição. Das grandes cidades, Joinville e Chapecó empatam com a colocação 16ª. Blumenau fica em 17ª, Florianópolis e Criciúma estão colocadas em 19ª.

Quando considerada a lista das 100 melhores escolas de Santa Catarina, considerando estaduais e municipais, Joinville concentra a maior quantidade de colégios devido a qualidade do ensino municipal. Nas séries iniciais, a cidade do Norte possui 34 das 100 primeiras do ranking — 32 municipais e 2 estaduais. Nas séries finais, Joinville conta com 23 das 100 — 22 municipais e uma estadual.

Florianópolis conta com apenas três da lista de 100 melhores nas séries iniciais — uma municipal, uma estadual e uma federal. O melhor colocado na capital é Colégio de Aplicação, ocupando a 44ª posição. Nas séries finais, a cidade também possui três das 100 — uma municipal, uma estadual e uma federal. Nessa lista, a melhor colocada é a Escola Estadual Básica Feliciano Nunes Pires, na 9ª posição.

O que são as metas

As metas são o caminho traçado de evolução individual dos índices, para que o Brasil atinja o patamar educacional que têm hoje a média dos países da OCDE. Em termos numéricos, isso significa evoluir da média nacional 3,8, registrada em 2005, para um Ideb igual a 6 na primeira fase do ensino fundamental.

Foi o Inep quem estabeleceu parâmetros técnicos de comparação entre a qualidade dos sistemas de ensino do Brasil com os de países da OCDE. Ou seja, a referência à OCDE é parâmetro técnico em busca da qualidade, e não um critério externo às políticas públicas educacionais desenvolvidas pelo MEC, no âmbito da realidade brasileira.
A NOTÍCIA E DIARIO CATARINENSE
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