O diagnóstico, o medo e a cirurgia: Cacau Menezes conta como foi enfrentar o câncer Roberto Scola/Diário Catarinense

Cacau volta mais tranquilo e conciliador, mas continua polêmico

Foto: Roberto Scola / Diário Catarinense

Quando Cacau Menezes se despediu do público no Jornal do Almoço, no dia 16 de agosto, ficou uma pergunta no ar: que doença ele tem? Um mês depois, o colunista mais lido do Estado está de volta e expõe sua intimidade. Ele se afastou para extirpar um tumor maligno na próstata.

Afirma que o diagnóstico, que conheceu pouco antes de embarcar para a Copa do Mundo, marcou um dos dias mais tristes de sua vida. Mas o drama ficou no passado. Agora, quer usar seu exemplo para ajudar outros homens. Frisa a importância dos exames preventivos e do tratamento. Faz questão de dar dicas:

— Fazer xixi além do normal é sinal de que algo não está bem. Como é hereditário, quem teve alguém da família com câncer de próstata tem que se cuidar em dobro. Para os homens, o câncer de próstata é como o de seio ou útero para as mulheres.

Cacau buscou forças na espiritualidade para superar o momento. Sua casa e a família têm sido fundamentais para a recuperação total e formatação de um novo Cacau, mais conciliador, mais tranquilo e mais saudável. O que não significa abandonar o perfil polêmico e contestador.

— Eu não posso perder o poder de me indignar. Minha veia jornalística não permite ser diferente. 

Confira alguns trechos da entrevista:

Quem sou eu
Quando eu disse, no meu blog, que estava surgindo um novo Cacau, mais careta, um cara me disse que, se eu mudar, a coluna vai ficar ruim. Pelo teor da mensagem, era um inimigo que estava inconformado com as mudanças positivas que eu estava vislumbrando para a minha vida. Ele pode estar certo: eu não vou mudar no que está dando certo. A minha maneira de escrever vai ser a mesma. Vou mudar na minha intimidade. Para os inimigos não se mandam flores e eu vou seguir esta máxima."

Um novo Cacau
"Há males que vêm para o bem. Eu tiro coisas boas. Isso me fez parar pra pensar, pra mudar. Mudar valores de vida, atitudes, hábitos. Coisas que fazia e achava que eram normais: bebedeira, noitada, se estressar com pequenas coisas. Me sinto um cara mais conciliador, tolerante, mais saudável. A bebida te tira energia, o humor. Voltei a ser aquele cara do Quiosque, aquele guri do Praia Clube, que todo mundo gostava. Tenho que dar mais valor pra isso, desfrutar mais isso. Sinto prazer em olhar o mar, os pássaros.

Descoberta
"Fiz uns três exames de próstata dos 40 aos 45 anos, mas fiquei cinco anos sem fazer. No dia 5 de abril, três dias após meu aniversário de 55 anos, resolvi fazer um check-up. Aparentemente estava tudo bem, mas eu reprovei em todos os exames. O médico disse que estava tudo ruim. Levei um susto. Me mandou fazer um exame de próstata mais aprofundado. Da ultrassonografia retal, me mandaram fazer a biópsia. Uma coisa que mexe com a tua intimidade. Veio o resultado, o Dr. Nélson Xavier, que foi o médico do meu pai, disse: 'Vamos operar. Tem solução, não vais morrer disso'. Ele disse que eu tinha o início de um câncer na próstata, mas era pra eu ficar tranquilo."

Memórias
"Fiquei com muito medo, pois vi meu pai sofrer com este problema, há 20 anos. Meu pai fez essa cirurgia, numa época em que não tinha muitos recursos, sofreu horrores, com queimaduras, ficou impotente, andou com uma bolsa no lado. O homem morreu ali. Pensei: 'Comigo, agora, 55 anos, tô me sentindo um guri ainda, jogando bola, com um netinho, com os filhos novos'. Entrei em paranoia geral. Ninguém sabia, continuei trabalhando. Passei mais ou menos um mês assim."

Recuperação
"Deu tudo certo. A minha ereção era pra voltar entre dois meses e dois anos. Voltou em menos de um mês. Cheguei de viagem e a "coisa" foi crescendo, crescendo... Comecei a pular. O médico tinha me dito que tinha preservado os nervos e tal. Fiz o exame de PSA e deu 0,3 - quando fiz a cirurgia estava em 8. Isso quer dizer, no relatório do médico, que a coisa está curada. Agora, é viver com mais cuidado, a cada dois anos repetir o exame, comer mais peixe e maçã, beber menos. Parei com as brincadeiras que tinha na noite, aquela coisa de sexo, drogas e rock'n'roll."

Você confere a reportagem com Cacau Menezes no Donna DC deste domingo

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