Itapema é a cidade catarinense com maior crescimento populacional dos últimos 10 anos Diego Redel/

Eva Agner Krüger deixou o RS para trabalhar em São João Batista, onde encontrou melhores salários

Foto: Diego Redel

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As belezas naturais e a qualidade de vida da Costa Esmeralda, onde ficam as praias de Itapema e Bombinhas, e a falta de mão de obra especializada no polo calçadista de São João Batista atraíram o maior número de migrantes em Santa Catarina em 10 anos. Segundo o Censo 2010 do IBGE, os três municípios tiveram o maior crescimento populacional do Estado na última década. 

Em números absolutos, Itapema conquistou o maior número de novos moradores, passando de uma população de 25,8 mil para 44,2 mil habitantes em 10 anos, um crescimento de 70,89%. Mas São João Batista teve o maior salto percentual, de 76,48% no período, multiplicando sua população, de 14,8 mil para 26,2 mil habitantes. Em terceiro lugar, Bombinhas cresceu 63,10%.

Um futuro com os pés no chão

A falta de mão de obra especializada no polo calçadista de São João Batista foi o principal atrativo para que novos moradores se instalassem na cidade. Ao buscarem oportunidades de emprego, transformaram o município no de maior crescimento percentual da população na última década e o sétimo no ranking nacional. 

Os migrantes são, principalmente, gaúchos vindos do polo calçadista do Vale do Sinos. A indústria calçadista gaúcha, ao contrário da catarinense, é focada nas exportações e se ressente com a crise cambial.

Em apenas uma das 150 indústrias de calçados existentes em São João Batista, dos 500 funcionários, 200 são gaúchos, 50 são paranaenses e, ainda, há alguns funcionários nordestinos. O salário mais alto, de R$ 950 em média, contra R$ 750 no RS, atraiu os profissionais com conhecimento no setor.

O prefeito, Aderbal Manoel dos Santos, garante que a cidade cresceu em torno da indústria calçadista, que agora tem também fábricas de acessórios para sapatos. Indústrias de palmilhas, fivelas, solados e caixas agregam valor ao polo indústrial da cidade, que passou de 14,8 mil para 26,2 mil habitantes em 10 anos.

– O impacto é positivo na economia, mas nos causa preocupação porque temos que atender com infraestrutura, creches, escolas e postos de saúde toda essa nova população. Ainda mais que continuamos com falta de mão de obra especializada. Ou seja, há potencial para crescer mais – conta.

Entre as melhorias feitas pela administração estão uma nova ponte, que aliviou o trânsito do Centro, um posto de saúde central e novas vagas em creches. A indústria calçadista é responsável por 90% da economia do município, que arrecada R$ 2 milhões por mês.

Mais tranquilidade e à beira-mar

O fenômeno da litoralização justifica o acréscimo populacional em Itapema, uma cidade que oferece qualidade de vida e é muito procurada por quem se aposenta ou busca tranquilidade. A prefeitura calcula que 70% dos moradores de Itapema sejam migrantes. O próprio prefeito, Sabino Bussanello, é de Galvão, no Oeste do Estado, justamente a segunda cidade que mais perdeu população em 10 anos.

No Bairro Meia Praia, o calçadão está pronto, com internet wireless grátis, academia de ginástica, ciclovia, escola de surfe e orientação de um profissional de Educação Física.

Novas construções surgem a cada dia para atender o crescimento populacional. Em 2008, foram concedidos alvarás para 310 mil metros quadrados. No ano passado, mais 311 mil. E este ano, o número deverá ser superado novamente.

O poder público tem tido mais trabalho para preparar a cidade com a infraestrutura necessária para atender  à demanda.

— Em cinco anos, queremos atingir 80% da rede tratada em toda a cidade. Pelo menos, há dois anos não falta mais água. Nossos desafios passam por resolver as ocupações irregulares e a mobilidade urbana — diz o prefeito.

A população de Itapema, de 44 mil habitantes, salta para 400 mil no verão. O município, que arrecadou R$ 83 milhões em 2009, tem um PIB que passou de R$ 315 milhões em 2000 para R$ 500 milhões em 2008.

O aumento populacional também intensificou problemas com segurança pública e uso de drogas.

— Temos programas para tirar as crianças da rua e tentar minimizar a questão das drogas — afirma o secretário de Governo, Evaldo José Guerreiro Filho.

Vão passear e acabam ficando

Com as belas praias da Costa Esmeralda, Bombinhas é um dos destinos turísticos mais procurados de Santa Catarina. E o aumento populacional de 63,10% em 10 anos tem tudo a ver com isso.

Muitos são os turistas, que, encantados com a bela cidade, decidem se estabelecer definitivamente em Bombinhas. O município passou de uma população de 8,7 mil para 14,2 mil habitantes em uma década.

Segundo o secretário de Administração da cidade, o gaúcho Enio Carlos Raimundo, o que aconteceu com Balneário Camboriú há alguns anos, agora ocorre nas cidades próximas, como Itapema e Bombinhas.

— Como Balneário não tem mais para onde crescer, os aposentados ou turistas que gostaram de Santa Catarina e escolheram morar aqui estão procurando outras cidades próximas. Tem gente que vem para fazer turismo e nunca mais volta — conta Raimundo, que ao se aposentar decidiu morar na casa de veraneio que tem em Bombinhas.

Tranquila e bela, Bombinhas sofre com trânsito lento somente na alta temporada de verão porque tem apenas um acesso. O projeto do segundo foi paralisado por questões ambientais.

Mas a prefeitura está tentando encontrar alternativas e trabalha para aumentar o número de creches e escolas, já que a lista de espera de crianças em idade escolar é grande. São 2,2 mil alunos em 2010, mas a previsão para 2011 é de 2,8 mil.

Para suprir o déficit, segundo a secretária da Educação do município, Simone Melo Mercedes, escolas estão sendo ampliadas e uma nova creche, construída.

— Vamos conseguir reduzir a lista de espera para apenas 50 crianças.
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