Os prédios de 20, 30 e 40 andares que hoje contornam a orla de Balneário Camboriú ficarão pequenos se um estudo que está em andamento virar realidade. A proposta é construir no balneário o maior edifício da América do Sul, com 62 andares. A meta é levantar o arranha-céu na Barra Sul, próximo ao teleférico.

Compare os arranha-céus mundiais com os do Brasil e Santa Catarina

O prefeito Edson Piriquito confirma a informação, mas a FG Empreendimentos, que faz o estudo de viabilidade, mantém a ideia em sigilo. Se, por um lado, o crescimento do ramo imobiliário, principalmente o vertical, é favorável à economia, por outro, preocupa. Água, sistema viário, vagas de estacionamento e saneamento básico são suficientes para tanta gente?

Os números revelam o problema. De acordo com o Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis de Balneário Camboriú (Sicovi), atualmente o município possui 1.898 prédios. Até 2014, a expectativa é de que mais 250 sejam entregues. Isso significa quase 5 mil apartamentos a mais na cidade, a maioria com três quartos. Destes, 60% já estão vendidos.

— Precisamos de uma legislação mais firme, que permita que a comunidade dê opiniões. Balneário Camboriú é uma cidade que não nasceu planejada. Ela se estruturou sem planejamento — aponta o geólogo Marcus Polette, professor da Univali.

O secretário municipal de Planejamento, Auri Pavoni, confirma que não há uma regulamentação que determine a metragem territorial ou a altura dos edifícios. Pavoni garante que regras são ignoradas na construção civil há pelo menos 20 anos.

Em 2015, um edifício de 45 andares e 140 metros de altura será entregue. A obra é da FG Empreendimentos.

— Este prédio (Alameda Jardins) será construído na Barra Norte em uma área de 1,5 mil metros quadrados. Os outros 3,5 mil metros quadrados são de área verde, onde os moradores poderão fazer trilha e praticar esportes, por exemplo – conta o gerente comercial da construtora, Antônio José Roncáglio.

Polette usa a palavra paradoxal para definir a situação:

— É um avanço da tecnologia da Engenharia Civil a questão dos edifícios cada vez mais altos. Mas esse crescimento gera um impacto muito grande, principalmente na vizinhança.

DIÁRIO CATARINENSE
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