Tartaruga cabeçuda que apareceu em Santa Catarina está saboreando camarões no RS Diego Redel/

Animal já percorreu mais de 700 quilômetros

Foto: Diego Redel

Em dois meses e mais de 700 quilômetros de viagem, um lugar no oceano tem sido o preferido da tartaruga macho, espécie cabeçuda, que quase morreu em novembro do ano passado em Santa Catarina. Depois de recuperada, ela foi devolvida ao mar no dia 18 de dezembro, na Barra da Lagoa, em Florianópolis.

Com um aparelho GPS colado em seu casco, o animal de mais de cem quilos é vigiado pelos biólogos do Projeto Tamar desde que saiu da costa catarinense. Há cerca de 40 dias, a tartaruga está na Praia do Cassino, litoral do Rio Grande do Sul. Além das águas mais escuras, a região é conhecida, nesta época, pela fartura do camarão.

— Provavelmente, ela ficou parada ali, durante todo esse tempo, comendo camarão — conta o biólogo Gustavo Stahelin, coordenador técnico do Projeto Tamar, base Barra da Lagoa.

A observação é baseada nos dados enviados pelo GPS, que tem transmissão via satélite, no último dia 14. Segundo as informações fornecidas pelo aparelho, a tartaruga estava a menos de dois quilômetros da areia da praia gaúcha. Graças ao equipamento, os biólogos conseguem acompanhar os hábitos, o trajeto e outras informações sobre o animal.

— O GPS não machuca. Ela nem sente — garante Gustavo.

Por não terem muitos dados sobre o estilo de vida de machos adultos da espécie cabeçuda, os técnicos decidiram acompanhar este animal, que é o primeiro no Brasil a usar o aparelho.

Nos 736 quilômetros entre a Barra da Lagoa e o Cassino, a tartaruga tem nadado próximo à beira do mar, a uma distância de cerca de 80 quilômetros da costa, e numa profundidade que não ultrapassou os 50 metros.

— Pela distância dos pontos de parada e o trajeto que percorreu, ela está nadando bem. Se tivesse tido problemas, teria encalhado numa praia, o que não aconteceu — conta Gustavo.

Recuperada e sem traumas

De acordo com Gustavo, a tartaruga nem lembra do trauma que viveu no último dia 1º de novembro, quando ficou atolada na lama em um canal em Araquari, Litoral Norte catarinense. Ela estava com um anzol preso no esôfago e quase morreu. Foi levada para um tanque no Projeto Tamar, onde foi operada e ficou se recuperando até se curar totalmente.

Às 9h30min do dia 18 de dezembro, bem disposta e com a caixinha do GPS nas costas, a tartaruga partiu da Praia da Barra da Lagoa em direção aos Ingleses. Chegou perto da Reserva do Arvoredo, onde ficou por cerca de dois dias, e seguiu viagem. Fez rápidas paradas na Praia do Rosa, em Imbituba, e em Laguna, até entrar no RS, por Torres. Seguiu até a cidade de Rio Grande, onde passou aparentemente ilesa pelas redes e anzóis das embarcações do Porto de Rio Grande.

— O mar é uma mina. Nele há pesca, principalmente de alto-mar, a industrial — observou o biólogo.

No percurso, a tartaruga passou pelo canal da Lagoa dos Patos e quase entrou no Uruguai. Em vez de conhecer um país diferente, a cabeçuda deu meia-volta e preferiu se esbaldar com os camarões da Praia do Cassino.
 Veja também
 
 Comente essa história