Governo não vai trazer de volta brasileiros que vivem no Japão, diz Itamaraty  Nicholas Kamm, AFP/

Caminhão ficou em cima de um mercado de peixes destruído pelo tsunami na cidade de Ofunato

Foto: Nicholas Kamm, AFP

Não há nenhum plano do Ministério das Relações Exteriores para retirar os brasileiros que estão no Japão. Mesmo após o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) declarar preocupação com a séria situação da Usina Nuclear de Fukushima, o governo brasileiro não divulgou nenhuma estratégia para resgatar a comunidade brasileira no país em caso de acidente nuclear grave.

De acordo com o Itamaraty, enquanto as autoridades japonesas e a própria Aiea não comunicarem que há necessidade de retirar as pessoas do país, o Brasil não enviará aviões ou navios para resgatar os brasileiros.

A decisão do governo brasileiro preocupa o nipo-brasileiro Hugo Takeshi Sakamoto, que já morou no Japão e retornou ao país nipônico há cerca de um mês. Ele disse que se sente desorientado e preocupado com o que considera um “excesso de tranquilidade” das autoridades e da mídia japonesas. 

— Eles estão muito calmos, dizem que está tudo bem, mas eu sinto que não está. E ninguém nos orienta. Seria melhor que fizessem isso antes que alguma coisa mais grave acontecesse —, disse em entrevista.

Takeshi tem dois irmãos morando no Japão, ambos casados e com filhos no país. Um deles, Massahiro Sakamoto, mora na cidade de Fukushima e precisou ser resgatado quando a radiação da usina atômica, que fica a cerca de 30 quilômetros da casa dele, começou a vazar.

— Nós fomos buscá-lo. Levamos dois dias para chegar lá, a estrada está muito cheia, tem muita gente saindo de lá e muita gente que está indo buscar os parentes. Quando a gente vai, não sabe se vai conseguir voltar porque não há combustível para vender —, contou o brasileiro. 

Massahiro está agora hospedado com a família na casa da irmã, em uma cidade próxima a Tóquio.


 


Ainda de acordo com Takeshi, os brasileiros se ressentem da falta de informações em português, uma vez que nem todos que estão lá dominam a língua local. Ele diz que ligou para o consulado brasileiro e ouviu que deve seguir as orientações do governo japonês. Mas ele alega que nem Brasil nem Japão dizem o que deve ser feito em caso de um vazamento grave de radiação.

— Tenho só aquelas máscaras cirúrgicas fininhas em casa. Vedei as janelas e estamos evitando tomar banho porque começou a chover e sabemos que a radiação já chegou a Tóquio, então estamos com medo de a água ter sido contaminada. Mas não sei o que fazer se houver uma explosão na usina.

Ele conta ainda que o preço das passagens para sair do Japão triplicou e que não há vagas no voos programados para os próximos 20 dias com destino aos Estados Unidos, onde já morou, ou ao Brasil. Apesar disso, ele diz que virá para o país assim que for possível e que os sobrinhos também devem deixar o Japão.

O Itamaraty orienta os brasileiros a acompanhar a página do consulado e da embaixada brasileira na internet. As informações em japonês têm sido traduzidas para o português e a página é atualizada constantemente.


Entenda como ocorreu o terremoto:


AGÊNCIA BRASIL
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