Ponte Pedro Ivo Campos, em Florianópolis, completa 20 anos nesta terça-feira Alan Pedro/Agencia RBS

A ponte, batizada em homenagem ao governador morto um ano antes da conclusão, começou a ser construída em 1982

Foto: Alan Pedro / Agencia RBS

Se teve uma ponte tão polêmica em Santa Catarina quanto a Hercílio Luz, esta é a Pedro Ivo Campos, que completa 20 anos na terça-feira. Foi a ligação entre a Ilha e Continente que levou mais tempo para ser construída — nove anos — e ainda foi inaugurada incompleta em 8 de março de 1991, sem a pintura externa e as passarelas.

Na obra, chamada inicialmente de Terceira Ponte, surgiu um dos maiores escândalos do Estado: a suspeita de superfaturamento de US$ 27 milhões, processo que ainda não está finalizado.

A ponte, batizada em homenagem ao governador morto um ano antes da conclusão, começou a ser construída em 1982. O governador Jorge Bornhausen assinou contrato com a Usiminas Mecânica (Usimec) em 13 de maio.

A terceira ponte não era prioridade de governo, que planejava construir uma continuação do Aterro da Baía Sul até o aeroporto. Seguhdo Bornhausen, a interdição da Ponte Hercílio Luz, que dividia o tráfego de 60 mil veículos por dia com a Colombo Salles, mudou o foco para a nova ligação.

— Ficamos só com uma ponte e tivemos que direcionar os recursos para a obra — diz.

Esperidião Amin, Secretário de Transportes na gestão de Bornhausen e governador de 1983 a 1987, lembra que a nova ponte foi baseada no projeto da Colombo Salles, mas com o vão central metálico.

Isso para obter recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, atual BNDES), que buscava abrir mercado para o aço da estatal Usimec. Embora a contratação da Usimec sem licitação tenha sido legal — por se tratar de empresa pública —, houve polêmica por ela ter subcontratado empreiteiras.

O financiamento saiu em 1984. A demora na aprovação dos recursos paralisou as obras até 1986, quando chegou o material para prosseguir.

— Na época havia grande restrição ao crédito. O Estado não tinha recursos e o governo Federal estava às voltas com a inflação — comenta Amin.

Pedro Ivo Campos tomou posse em março de 1987 e deu prazo de 20 meses para a conclusão - que não foi cumprido. Em 1989, as empreiteiras não estavam recebendo e pararam a obra, só voltando em 1990, quando o governador morreu.

Casildo Maldaner assumiu e retomou os pagamentos, mas a um custo alto. Como a maior parte dos U$S 55 milhões veio dos cofres públicos, os salários do funcionalismo atrasaram e os servidores protestaram em frente à obra, na véspera da inauguração, que aconteceu uma semana antes de Maldaner entregar o cargo.

A ponte atualmente

Quando a Ponte Pedro Ivo Campos foi construída e desafogou o tráfego na Colombo Salles, se esperava que ninguém mais enfrentasse longos congestionamentos na travessia. Mas o tráfego atual na Pedro Ivo é o dobro da capacidade projetada. São 85 mil veículos por dia e o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) já estuda uma quarta ligação.

A ponte também sofre com a deterioração provocada pelo tempo. Em 2006, um estudo do Sindicato Nacional de Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva apontou que a estrutura metálica precisava de reparos. As principais vigas apresentavam armaduras expostas e sinais de oxidação, e o vão central de ferro estava com excesso de ferrugem.

De lá para cá, pouco foi feito, apenas limpeza, manutenção de iluminação e pequenos reparos. O presidente do Deinfra, Paulo Meller, informou que está contratando um projeto de revisão das duas pontes, com estudo sobre deterioração. O objetivo é, após a análise, começar a fazer manutenções preventivas.

Confira o vídeo sobre a ponte Pedro Ivo Campos:

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