Instituto Iatel coloca cultura surda como prioridade em Florianópolis Alvarélio Kurossu/Agencia RBS

Juliana Lohn (E) foi alfabetizada em escola só para surdos e diz que a prática é mais eficiente

Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

O Instituto de Audição e Terapia da Linguagem (Iatel), criado em 1969, por professores e pais, em Florianópolis, fez o caminho inverso a partir de 2005. De escola de educação infantil ao 5° ano, voltada exclusivamente para crianças surdas ou com problemas de linguagem, ela abriu as portas para a integração com outras crianças.

Você acha que os surdos devem estudar em escolas especiais? Por quê?

A partir do decreto 5.626, que determinava a integração no ensino regular, a escola sem fins lucrativos, funciona com oficinas complementares de ensino. As oficinas, como de português como segunda língua e encaminhamento para o mercado de trabalho, priorizam a cultura surda e o uso das Libras. Mas a coordenadora do setor de surdos do Iatel, Glades Costa Oliveira, destaca que nem sempre foi assim.

Política de inclusão

— Até 1997, quando começamos a usar as Libras, o método usado para ensinar era o oralismo. Os surdos tinham que aprender a linguagem labial e a falar, mesmo sem escutar nada.

Juliana Tasca Lohn, de 34 anos, professora de Libras, foi alfabetizada com o oralismo e até hoje balbucia algumas palavras. Mesmo assim, ela destaca que se sentiu muito melhor na escola só para surdos do que na escola regular, que começou a frequentar depois do 5° ano.

— Enquanto se escreve, se perde o que a professora diz, não dá para fazer a leitura labial. Quando a professora se vira para escrever no quadro, também se perde o que ela diz — explica Juliana.

Para ela, mesmo com a participação dos intérpretes, há perda de conteúdo porque as salas são mais numerosas e as exposições são rápidas demais para se captar só visualmente. Além disso, ela diz que não há uma integração entre surdos e os que escutam.

A coordenadora do Iatel destaca:

— Sem comunicação e acompanhamento, se repetem nas escolas os surdos como marginalizados, deixados de lado — conclui a coordenadora.

Segundo Glades, o Iatel era a única escola exclusivamente para surdos da região e chegou a contar com 116 alunos matriculados do primeiro ao 5° ano. Para ingressar nas atuais oficinas do Iatel, os alunos passam por uma triagem que analisa as condições financeiras e o melhor encaminhamento para os profissionais especializados.


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