Sarney determina inclusão de painel sobre impeachment de Collor em exposição Ana Volpe/Agência Senado

Sarney inaugurou galeria histórica na segunda-feira

Foto: Ana Volpe / Agência Senado

Após a repercussão em torno da ausência do painel sobre o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo da exposição que conta a história do Senado, o presidente da Casa, José Sarney, determinar a inclusão do quadro na galeria.

"Diante da repercussão verificada pelo conteúdo da exposição inaugurada ontem no Túnel do Tempo, o presidente do Senado Federal, Senador José Sarney, esclarece que não foi o autor nem o curador da exposição — feita por organismo especializado da Casa — e que determinou a inclusão do episódio do impeachment do Presidente Fernando Collor na linha de eventos na referida mostra", informou em nota a assessoria de imprensa da Presidência do Senado.

Sarney, que reinaugurou a galeria na segunda-feira, afirmou, que o impeachment de Collor foi apenas um "acidente" na História do Brasil e não mereceria espaço na galeria. A Secretaria de Comunicação Social da Casa teve de explicar a exclusão. A justificativa apresentada foi a de que os dezesseis quadros expostos em um corredor que liga o prédio principal do Senado ao edifício anexo não citam o impeachment por uma opção dos historiadores.

Você acha que a justificativa do Senado para a exclusão do painel sobre o impeachment é aceitável?

O impeachment de Collor foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 29 de setembro de 1992, com uma ampla margem de votos — 441 a 38 — favoráveis ao afastamento do então presidente, depois que uma CPI comprovou sua relação com o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o empresário Paulo César Farias.

Collor não chegou a ser cassado pelo Senado porque renunciou ao seu mandato momentos antes da votação no Congresso. Apesar disso, ele foi condenado pelos senadores e teve seus direitos políticos suspensos.

O trecho que conta a história do processo sofrido por Collor já havia sido retirado do Túnel do Tempo do Senado em 2007, um dia antes de Collor tomar posse como senador, eleito pelo estado de Alagoas. Posteriormente, o episódio foi recolocado nos painéis.

Ouça a justificativa de José Sarney:



Os painéis do Senado

A exposição traz os principais episódios da história brasileira, como a abolição da escravatura, o período do Estado Novo e o golpe militar de 1964. O Túnel do Tempo segue uma ordem cronológica centrado na relação do Senado com os principais fatos da história do Brasil entre 1822 e 1988. A partir daí, no penúltimo painel, passam a ser citados apenas leis e códigos importantes que foram aprovados pela Casa.

No que se refere aos personagens mais importantes da história brasileira, são lembrados, por exemplo, Joaquim Nabuco, Visconde do Rio Branco, Machado de Assis e os ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck.

O atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é citado três vezes: sobre suas atuações durante a ditadura militar, no período em que assumiu a presidência da República e durante a constituinte de 1988.

A respeito de sua atuação como parlamentar no regime militar, Sarney é citado como integrante de um grupo de senadores que se preocupou em "manter um debate importante para a permanência do regime democrático".

Além do impeachment de Collor, outros fatos ligados ao Senado ficaram de fora da história contada nos painéis. É o caso da única cassação de um senador, quando Luís Estêvão perdeu os direitos políticos por oito anos em 2000. Também não são citadas as renúncias de Antônio Carlos Magalhães e de José Roberto Arruda.

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