Viviane Bevilacqua: mentes doentias Arte de Lucas Abreu/Arte de Lucas Abreu

Em Floripa, o mamaço acontecerá no dia 5 de junho, às 10h, no trapiche da Beira-Mar Norte

Foto: Arte de Lucas Abreu / Arte de Lucas Abreu

Em maio, uma mulher foi impedida de amamentar seu bebê numa sala de exposições de São Paulo. A funcionária a proibiu argumentando que o ato feria o código de boas maneiras. A mamãe não acreditou. Como assim? O filho estava chorando de fome, e dar de mamar, sentada em uma cadeira, sem importunar ninguém, seria um ato obsceno?

Revoltada, ao sair de lá, a mãe postou no blog sua indignação. Reclamou, também, para a direção da sala de exposições que, óbvio, retratou-se posteriormente, dizendo que esta não era a posição da empresa.

Depois deste fato infeliz, outros parecidos pipocaram pelo país. Várias mulheres tiveram suas fotos — nas quais estavam amamentando seus filhos — retiradas do Facebook, por "violação dos termos de uso, por apresentar conteúdo pornográfico, cenas de nudez ou ser inadequadamente sexual".

Custo a acreditar que isso seja verdade. Mãe amamentando um bebê é uma imagem linda, pura, afetuosa. Pornográfica? Só se for em uma mente doentia. Tanta pornografia rolando solta na Internet, à disposição de quem quiser ver (e, às vezes, até de quem não quer) e vão censurar fotos de mulheres dando de mamar? Ah, o problema é o seio à mostra? Então, censuremos também os programas de televisão, as mulheres nas praias, os desfiles de moda...

Este tipo de atitude é um retrocesso sem tamanho. O mundo inteiro desenvolve campanhas a favor da amamentação, pois sabe-se que o leite materno é o alimento mais completo para os bebês.

Além disso, amamentar cria uma ligação muito forte entre a mãe e o seu filho. Só quem é mãe e amamentou entende o que eu estou dizendo. Morro de saudade daquele tempo... Dei de mamar aos meus dois filhos por mais de um ano, mesmo trabalhando desde o final das licenças-maternidade. Até os seis meses, foi a única alimentação das crianças. Depois, como complemento (e também porque eu adorava estes momentos de total intimidade entre mãe e filho. Trocávamos olhares e carinhos dos quais eu nunca esqueci).

Pois agora vem o lado bom. Devido a estes acontecimentos beirando a irracionalidade, surgiu um movimento muito bacana no Brasil, que eu apóio integralmente. Só não participo porque parei de amamentar os meus filhos há 18 anos. É o mamaço: grupos de 50, 100 ou até mais mulheres que se reúnem para dar de mamar aos seus bebês, em locais públicos. A ideia é mostrar a todos que amamentar é bonito e saudável. Um exemplo a ser seguido por todas. Aqui em Floripa, o mamaço acontecerá no dia 5 de junho, às 10h, no trapiche da Beira-Mar Norte.

Um seio cheio de leite não é nem pornográfico nem erótico. É sinal de vida em abundância. Tomara que a nossa avenida fique lotada de mamães e bebês. Será uma cena linda, com certeza.

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