A crise entre PT e PMDB pode doer no bolso do governo e suprimir poder da presidente Dilma Rousseff na edição de Medidas Provisórias (MPs). À procura de bandeiras que fortaleçam a legenda, a bancada do PMDB no Senado quer mudar o indexador que corrige a dívida de Estados e grandes municípios com a União, a despeito de a Fazenda já ter alertado de que isso afeta o ajuste fiscal.

Em jantar segunda-feira no Palácio Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer, a bancada também fechou com a proposta do senador Luiz Henrique da Silveira (SC), "segurando" 20% da parcela mensal das dívidas pagas ao Tesouro. A ideia é transferir esse montante a um fundo para financiar um "megaprojeto de investimentos". Como o estoque da dívida dos Estados está na faixa dos R$ 400 bilhões anuais, eles teriam R$ 80 bilhões para investir.

Luiz Henrique defende a tese de que o governo não tem nada a perder porque os investimentos criariam novos empregos, movimentariam a economia e, com isso, o Tesouro teria uma receita extra proveniente de impostos. A dívida dos Estados é corrigida pelo IGP-DI mais 6% a 9%, a depender do acordo de renegociação de cada unidade da federação com a Fazenda, o que totaliza algo em torno de 18,5% ao ano.

Enquanto isto, lembraram os peemedebistas, o governo federal trabalha com a taxa básica Selic, anual de cerca de 11%.

Decididos a arrancar do Palácio do Planalto o tratamento compatível com quem é "sócio" do governo e não de "aliado subalterno", senadores das alas governista e independente do PMDB aproveitaram o jantar e fecharam-se em torno do vice, reforçando-o como interlocutor político do governo junto ao partido.

— O vice-presidente da República é o presidente de honra do partido e nosso interlocutor no governo. Não temos porque inventar outro — resumiu o senador Luiz Henrique.
AGÊNCIA ESTADO
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