Filhos famosos falam sobre seus pais Divulgação/ Revista Quem/

Ivete Sangalo fala de seu Alsus e da cumplicidade que existia entre os dois

Foto: Divulgação/ Revista Quem

Uma forma de homenagear quem a gente gosta, é escrever para ela. Muitas vezes, colocar no papel é muito mais fácil do que dizer cara a cara o que se sente. Existem, também, aqueles que não puderam expressar seu amor — ou porque não conviveram tempo suficiente, ou não tiveram coragem de mostrar seus sentimentos. E, ainda, os que querem compartilhar esse sentimento com o mundo.

Então, neste Dia dos Pais, a Revista Donna traz aos leitores depoimentos que filhos famosos deram ao jornalista Luís Colombini, autor do livro "O que aprendi com meu pai - 54 pessoas bem-sucedidas contam a maior lição que receberam de seu pai", que está sendo lançado este mês.

A chave do sucesso
"Curioso, folheei encantado com os desenhos de um gibi que meu pai me deu. Meu pai me viu entretido, perguntou se eu tinha gostado, disse que sim. A partir daí, toda quarta, sexta e domingo a noite, quando eu já estava deitado, ele entrava no meu quarto e, da porta, jogava em cima da cama os gibis que o Roberto Marinho publicava. Nascia ali o meu futuro. Quando meu pai percebeu que eu podia mesmo ganhar a vidam com o desenho, me deu a mais prática das lições: "Filho, não adianta saber fazer coisas bonitas se não aprender a cobrar por elas. Assim, maravilhado, aprendi a chave de transformar desenho em dinheiro. Baseado na sua experiência, meu pai foi direto ao ponto: não seja apenas um artista. Não fique na mão dos outros, trate também de administrar o seu negócio.
Pai: Antonio Maurício de Sousa, barbeiro
Filho: Mauricio de Sousa, desenhista, criador da Turma da Mônica

Medo do escuro
Quando eu era muito menina morria de medo do escuro. Sonhava em ganhar uma boneca Beijoca. Uma noite, de tanto encher o saco do meu pai, ele me propôs um trato: se eu conseguisse ficar cinco minutos no escuro no lavabo, sem chorar nem dar um pio, levava a boneca. Entrei no lavabo petrificada, mas quando vi que os monstros da escuridão não tinham me trucidado, comecei a raciocinar e a me sentir no comando da situação. Quando passou os cinco minutos e saí do banheiro, senti prazer em olhar a cara de espanto do meu pai e de admiração. Ali eu provei que era capaz de dominar minhas emoções.  Foi assim que meu pai me fez ver que eu era mais forte do que imaginava.
Pai: Antônio Teófilo de Andrade Orth, empresário
Filha: Marisa Orth, atriz e cantora

Em perfeita sintonia
"Eu tinha sete anos e era o dia da mudança de Juazeiro para Salvador. Minha mãe tinha feito uma panela de mugunzá para sustentar a família durante a viagem. Enquanto os homens da mudança desmontavam a casa e carregavam as caixas, sobrou só a mesa da cozinha. E então, naquele momento caótico, meu pai me chamou: "Filha, senta aqui. Canta para o pai O Bêbado e a Equilibrista". E nós ficamos no meio daquela bagunça, tentando acertar o tom da música, indiferentes à mudança, naquela cumplicidade de pai e filha que só quem viveu sabe. É uma cena simples, mas que retrata como o pai transformava coisas simples em momentos mágicos para transferir sua paixão pela música para mim."
Pai: Alsus Almeida de Sangalo, vendedor autônomo e cantor amador
Filha: Ivete Sangalo, cantora

Generosidade, a grande lição
Naquela manhã de sábado de 1970 meu pai me levou ao parque do Ibirapuera, em São Paulo. Uns garotos que vendiam água e refrigerantes tiveram suas mercadorias confiscadas pelos fiscais da prefeitura. Jamais vou esquecer o rosto do meu pai naquela hora. Ele colocou a mão no bolso e tirou o equivalente a uns 80 reais. Naquela época, a gente era duro pra caramba. Meu pai repartiu o dinheiro entre os meninos. Depois, quando fomos para casa, ele disse: "Tem de haver generosidade e respeito para com os outros, sobretudo em situações difíceis. Se seu espírito manda, ajude. Se não for com dinheiro, pelo menos com consideração.
Pai: Cassiano Gabus Mendes, autor de novelas
Filho: Cássio Gabus Mendes, ator

Dividir para multiplicar
"Nossa família é grande, mas, quando crianças, morávamos numa casa bem pequena. O dinheiro era pouco, a luta grande e a sabedoria do velho Chico maior ainda. Meu pai usava o verbo dividir para tudo. Dizia ele: Quem sabe dividir sabe multiplicar. Em dias difíceis, com pouca comida, em vez de a minha mãe colocar um pouco em cada prato, ele pedia para que comêssemos todos no mesmo prato. Chamava cada um pelo nome, juntava os oito filhos na mesa e falava: "Vocês vão comer todos juntos no mesmo prato para entender a maior de todas as lições entre os irmãos: a união. Faço isso para que vocês sejam unidos por toda a vida. Detalhe: a garfada era por ordem de nascimento. Assim, a gente aprendia também a conviver com a hierarquia familiar. E compartilhamos até hoje."
Pai: Francisco Camargo, lavrador
Filhos: Zezé de Camargo e Luciano, cantores

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