Florianópolis pode virar a capital do estresse no trânsito, afirma especialista Alvarélio Kurossu/Agencia RBS

Trânsito caótico já é rotina na entrada da Ilha

Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

Em um ano, Santa Catarina teve um crescimento populacional de 1,1%, passando de 6,24 milhões para 6,32 milhões de pessoas. Conforme a estimativa 2011 do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento foi superior ao índice brasileiro (0,84%) e dos outros estados do Sul, Sudeste e Nordeste — as regiões mais habitadas do país. Florianópolis foi a capital que mais cresceu no Sul e Sudeste.

Pelo ranking divulgado na semana passada, Florianópolis foi a que teve o maior aumento em números absolutos no Estado. Passou de 421,2 mil habitantes para 427,3 mil, ou seja, 6.058 pessoas de agosto de 2010 para julho de 2011.

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Conforme o professor de Planejamento Urbano da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Elson Manoel Pereira, o crescimento populacional se deve à migração do interior de Santa Catarina e de outros estados.

O crescimento tem a ver com o processo de "litoralização". Florianópolis é uma das capitais que mais crescem por causa dos bons índices de educação, além da violência ser menor, comparada a outras grandes cidades do país. Outro fator é a imagem que se vende para o resto do país de cidade-paraíso — analisa. 

Em percentual, o município que mais cresceu foi Araquari. Conforme o professor, boa parte dos migrantes do Paraná — que lideram a procura pelo Estado, junto com os gaúchos e paulistas — estão vindo para o Norte do Estado, onde existe um bom desenvolvimento industrial. A cidade de 25,8 mil habitantes é um dos exemplos, onde empresas nacionais e multinacionais se instalaram e se instalarão nos próximos anos.

Em seguida, no índice, vem Itapema, no Litoral, que no Censo 2010 tinha ficado em primeiro lugar. Para  a coordenadora de Divulgação de Informações do IBGE em Santa Catarina, Sueni Juraci de Mello dos Santos, os atrativos da cidade são a qualidade de vida e suas belezas naturais.

— É um município que gera oportunidades de trabalho, passa por um crescimento imobiliário e fica próximo a Balneário Camboriú (um dos pontos mais visitados no verão) — observa.

A representante do IBGE explica que o país passa por uma  mudança na mobilidade espacial da população. O estudo Reflexões sobre os Deslocamentos Populacionais no Brasil, divulgado em julho, já apontava que, atualmente, os migrantes se movem mais para a Região Sul, sobretudo em Santa Catarina, por ser um polo de atração turística. Nas décadas de 1960 a 1980, a corrida era para a Região Sudeste.

Florianópolis no limite

Se o crescimento populacional continuar alto e nada for feito para melhorar a mobilidade urbana, Florianópolis pode perder o status de "capital da qualidade de vida" para a do estresse no trânsito, como ocorre hoje com São Paulo. Para o professor da UFSC Elson Manoel Pereira, a Ilha já sofre com os problemas de trânsito pela falta de conectividade, ou seja, ligações estratégicas entre as vias.

De acordo com Pereira, as ruas de Florianópolis foram mal planejadas e a maioria desemboca nas mesmas saídas. Ele dá o exemplo da Avenida Beira-Mar Norte, onde qualquer acidente costuma parar o trânsito, como ocorreu com o tombamento de um caminhão perto do Elevado Vilson Kleinübing, na quinta-feira. Das 15h30min até o início da noite, o trânsito ficou lento em toda a região. Além disso, para o professor, a cidade precisa de modais alternativos, com mais linhas de ônibus, metrô de superfície e mais ciclovias.

— Quanto mais pessoas, mais se ocupa o solo e mais mobilidade precisa — observa.

Um estudo desenvolvido pelo pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Valério Medeiros, divulgado em 2009, aponta que Florianópolis tem o segundo pior índice de mobilidade do mundo e o deslocamento mais complicado entre 21 das principais capitais brasileiras. Foram levadas em consideração a organização e a conexão das ruas.

DIÁRIO CATARINENSE
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