Dilma desembarca na Índia para reunião do Brics Roberto Stuckert Filho/Presidência da República/Divulgação

Na entrada do hotel, Dilma recebeu um bindi, que é um apetrecho utilizado no centro da testa representando o sexto sentido, terceiro olho ou olho da sabedoria

Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República/Divulgação

A presidente Dilma Rousseff já está em Nova Délhi, onde permanece até o próximo sábado, para uma visita oficial ao país e participar da 4ª reunião do Brics, grupo de países emergentes integrado por Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul. Dilma desembarcou na base aérea de Palam, por volta das 13h, oito horas e meia a mais que no Brasil.

Com aparência bastante cansada, ela chegou acompanhada da filha, Paula, e de seis ministros que integram a comitiva. Na entrada do hotel, a presidente Dilma recebeu um bindi, que é um apetrecho utilizado no centro da testa, próximo às sobrancelhas, representando o sexto sentido, terceiro olho ou olho da sabedoria.

A presidente evitou dar declarações à imprensa. No caminho, a comitiva presidencial fez uma parada técnica em Granada, na Espanha, onde deu uma volta na cidade e jantou.

Não há programação para esta terça-feira. A agenda oficial da presidente Dilma começa na quarta-feira às 14h30min, hora local, com a cerimônia de entrega do título de doutora honoris causa da Universidade de Nova Délhi. À noite, a presidente participa de jantar oferecido a todos os presidentes dos países integrantes do Brics, encontro que oficialmente será aberto na quinta-feira. Na tarde de quarta-feira, a presidente poderá se reunir com o presidente da África, do Jacob Zuma.

A embaixadora Edileusa Fontenele Reis disse que o comunicado conjunto a ser assinado pelos cinco países deverá se concentrar principalmente em questões econômicas, principalmente tendo em vista a crise financeira mundial, além da implementação das reformas das instituições financeiras internacionais como FMI e Banco Mundial. O documento terá também uma parte política, já que há uma crise no Oriente Médio e norte da África, que inspiram cuidados, no caso da Síria e no contexto da crise não se pode deixar de considerar a questão Israel e Palestina.

 

Questionada se a violência na Síria, especificamente, será citada no documento, a embaixadora Edileusa disse que "a condenação à violência será um denominador comum de todos os países que querem um fim da violência e a busca de uma solução diplomática e pacífica", ressaltando que os países não querem intervenção.

Segundo a embaixadora, a crise entre a China e o Tibete, que levou na segunda-feira um tibetano a atear fogo ao próprio corpo, em protesto contra a repressão praticada pelo presidente chinês Hu Jintao, não deverá ser tratada no documento dos países do Brics.

— Não creio que entrará porque estamos mais preocupados com crises que eclodiram e que estão em um momento de grandes episódios de violência — comentou ela. — Não se pretende abordar especificamente sobre a questão do Tibete.

Ao lembrar a importância do Brics, Edileusa citou que os cinco países emergentes em 2012 serão responsáveis por 56% do crescimento mundial. O G-7, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo, será responsável pelo crescimento de apenas 9,5%, menos que o que ocorrerá na América Latina.

— A redução do crescimento da economia global é um assunto que preocupa a todos. Preocupa ao Brics, aos outros países em desenvolvimento e aos próprios países desenvolvidos — acentuou.

Outra proposta a ser discutida na reunião é a criação de um banco de desenvolvimento comum aos cinco países emergentes.

— Deve ser anunciada não ainda a criação do banco, mas a constituição de um grupo de trabalho para estudar as modalidades de constituição do banco — afirmou ela, lembrando que o banco é muito importante porque cria uma "fonte alternativa de financiamento sobretudo para países em desenvolvimento".

Integram a comitiva os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel; da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp; da Educação, Aloisio Mercadante; da Comunicação Social, Helena Chagas; do Turismo, Gastão Vieira; o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o secretario executivo da Fazenda, Nelson Barbosa. Também fazem parte da comitiva os governadores de Sergipe, Marcelo Déda; e da Paraíba, Ricardo Coutinho.
AGÊNCIA ESTADO
 Veja também
 
 Comente essa história