Canonização de Santa Paulina, a primeira santa brasileira, completa 10 anos Charles Guerra/Agencia RBS

Amábile Visintainer, 13 anos, e Alexandre Visintainer, 95 anos, são dois dos familiares de Santa Paulina

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Neste sábado, 19 de maio, a canonização da Santa Paulina, a primeira santa que viveu no Brasil, faz 10 anos. Vinda criança da Itália, ela é venerada em Nova Trento, no Vale do Rio Tijucas, onde foi erguido um santuário em sua homenagem, e onde viveu parte de sua vida.

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No lugar, existem ainda muitos descendentes. Alguns jovens como Amábile Visintainer, 13 anos, e outros mais idosos, como Alexandre Visintainer, 95 anos, que ainda lembra do dia em que foi com os pais despedir-se da religiosa quando ela partia para São Paulo.

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A grafia pode ter mudado, a admiração não

Se o "V" de Visentainer deu lugar ao "W", o respeito por Paulina continua o mesmo dos tempos de menino. Assim passa o tempo para Alexandre Atílio, 95 anos, sobrinho de Santa Madre Paulina, agricultor aposentado que mora no Bairro de Vígolo, vizinho ao Santuário, em Nova Trento.

Por volta dos 10 anos, recorda, ele, o pai e a mãe foram se despedir da jovem religiosa que partia para fortalecer a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Acredita que ela estivesse indo para São Paulo. Hoje, a obra de Madre Paulina está presente na Itália, países da América e da África através de um trabalho integrado de saúde, educação, promoção social e em diversas pastorais da Igreja Católica.

— Naquela época, os religiosos ficavam longe do povo. Tinha uma meia porta, e ela ficava de um lado e nós do outro. Mas acho que conseguimos dar um abraço nela — conta Alexandre Atílio.

Na casa onde vive, construída por ele inspirado no carpinteiro São José, o aposentado tem um cantinho onde todos os dias reza para a Santa Madre Paulina. No cantinho da sala e sobre um altar improvisado, acende velas em agradecimento pela saúde e bem estar com a família.

Desde que começou o processo de canonização, Alexandre tem dado muitas entrevistas. Mais do que falar em carregar o sangue da santa, sugere que as pessoas tenham fé no poder de intervenção da primeira santa que chegou menina da Itália e viveu em Santa Catarina.

Alexandre é filho de Manoel Benjamim, um dos irmãos de Paulina. É o único sobrinho da santa que está vivo. Mas encarregou-se de fazer circular o sangue da Vinsentainer mais famosa no mundo. Casado com Marta Maria, de quem está viúvo há 20 anos, teve 13 filhos.

Netos e bisnetos se espalham por diferentes cidades do Estado. Quando lhe perguntam diante da vitalidade e lucidez sobre não ter casado novamente, responde acreditar que na companhia da família prolonga a vida.

— Quero chegar aos 100 anos. Tomo vinho todos os dias e há 83 fumo cachimbo. E não deixo de rezar, nunca — conta.

O mesmo nome da santa

A resposta vem com orgulho sempre que alguém pergunta-lhe o nome: Amábile Visintainer. E respeitosamente segue a conversa caso seja feito algum questionamento se "esse não é o nome de batismo de uma santa?"

— Sim, tenho o nome e sobrenome da Santa Madre Paulina diz a adolescente de 13 anos, que frequenta o 7º ano e já fotografada como modelo.

Mas, diferente de Madre Paulina que foi fazer a vida religiosa em São Paulo, Amábile ainda está em Nova Trento por decisão dos pais que acharam muito cedo sua transferência para o mundo da moda.

Aluna aplicada e filha exemplar conforme a mãe, Rosângela Dallabrida Visentainer, Amábile tem fé em Madre Paulina. Mas não demonstra a mesma vocação.

— Penso em seguir a vida normal, um curso universitário e ter uma família. Acho bonito tudo o que ela fez, a sua obra, mas eu quero trabalhar com urbanismo e arquitetura — conta.

Amábile é filha única. O parto não foi difícil e a mãe agarrou-se na fé em Madre Paulina. A santa já era seu socorro quando, nos tempos de criança, os pais bebiam. Na hora do nascimento de Amábile não lhe faltou. Mas não foi fácil a homenagem.

Se no cartório não houve recusa de colocar nome e sobrenome, até por que o pai, Alfonso Piudessimo Visentainer, é sobrinho neto de Madre Paulina, na congregação a ideia não foi bem aceita: uma madre questionou o fato da menina ter o nome e sobrenome. Mas os pais estavam decididos: se fosse menina seria Amábile, se fosse um garoto seria batizado de Napoleão, mesmo nome do pai de Madre Paulina.

— Felizmente ela entendeu que eu tinha o direito, já que meu pai carregava o sangue da santa nas veias. Eu gosto muito das irmãzinhas e até dou aula de computação para uma delas — explica Amábile.

Os estudos são prioridades para a menina que apesar de gostar de fotografar e de moda, evita alguns comportamentos atuais:

— Não tenho namorado e ainda não fiquei com meninos. As pessoas acham estranho, mas eu penso em outras coisas para mim e um dia a hora chegará — diz.

Com 1,76 metro de altura e 52 quilos, Amábile diz que neste ano terá que refazer as fotos para a agência que já fotografou. Para ela, que não tem problema de peso, uma dificuldade foi posta: o tamanho do pé. O ideal é número 36, e ela calça 39.
Ficou chateada, mas diz que não vai "cortar o pé".

Quando volta o assunto sobre o comportamento das meninas de sua idade, costuma dizer que tem personalidade forte para não se deixar influência. O mesmo se diz de Madre Paulina, a sua tia em sangue, e padroeira no nome.

Assista ao vídeo com familiares da Santa Paulina

DIÁRIO CATARINENSE
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