Projeto de Florianópolis leva deficientes visuais para pedalar no centro da cidade Alvarélio Kurossu/Agencia RBS

Em bicicletas do tipo Tandem deficientes visuais pedalam sem medo

Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

O massoterapeuta Artur Mantelli Filho, 58 anos, não é um atleta profissional, mas toda semana pratica natação, vai à academia e pedala cerca de 40 quilômetros todos os sábados. Parece simples? Nem tanto. Arthur é deficiente visual e ganhou toda esta disposição depois que passou a integrar o grupo Novos Horizontes, um projeto que leva cegos para pedalar uma vez por semana em diversos roteiros de Florianópolis.

O projeto, que realizou o primeiro passeio em 19 de fevereiro do ano passado, está em busca de novos condutores voluntários — pessoas que são os "olhos" dos deficientes visuais na hora de pedalar conduzindo a direção da bicicleta — e estão abertos para novos participantes. Ricardo de Carvalho, 44, é quem trouxe a ideia para a Capital.

Depois de morar por três anos em Brasília onde pedalava com grupos de ciclistas durante à noite descobriu que com uma bicicleta Tandem (com dois assentos e dois guidões) poderia auxiliar quem sozinho não pode se entregar ao prazer da pedalada. Em 2010 fechou uma parceria com a Associação para Integração do Cego (Acic) de Florianópolis de onde vieram os três primeiros aventureiros, entre eles o massoterapeuta Artur.

Hoje o grupo conta com seis bicicletas e cinco condutores voluntários, um número que variou desde o início do projeto e que sempre há lugar para mais um. Os passeios ocorrem todos os sábados, geralmente das 9h às 12h, em trajetos que ofereçam segurança ao ciclista como nas avenidas Beira-Mar Norte e Beira-Mar Continental. Para participar, basta força de vontade.

— Neste um ano e meio de projeto já é possível perceber o quanto a qualidade de vida dos deficientes visuais melhorou, começamos com percursos pequenos de no máximo 10 km e agora já participamos de competições de até 200 km. E não é só isso, nestes passeios fizemos amizades e paramos para um tradicional café sempre pensando no próximo roteiro — diz Carvalho.

Para Arthur, que perdeu a visão aos 26 anos em uma partida de futebol, agora os sábados são sagrados e os passeios muito seguros.

— Quando perdemos a visão primeiro não acreditamos, depois pensamos que não somos mais capazes de fazer nada e em terceiro vem a fase que queremos provar o quando somos capazes e realmente somos. Não há como explicar a sensação de liberdade ao pedalar com segurança pela cidade rodeados de pessoas especiais— diz.

Como participar
O quê:
passeio de bicicleta para deficientes visuais
Quando: todos os sábados, das 9h às 12h
Onde: Florianópolis
Para participar ou fazer doações de bicicletas e equipamentos: (48) 8409-3168 com Ricardo ou pelo e-mail projetonovoshorizontes@gmail.com

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