Apesar da falta de especialistas, SUS atende mais rápido que planos de saúde em SC Sirli Freitas/Agencia RBS

Em Chapecó, Silvana disse que conseguiu consulta para diabetes em 20 dias

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

Para fazer um check up, as unidades de saúde de Santa Catarina atendem mais rápido pela consulta do que o plano de saúde, cuja espera pode demorar 76 dias, conforme pesquisa feita pelo Diário Catarinense. Os pacientes aguardam em média 15 dias pela consulta com o médico da família ou clínico geral.

Em Joinville, o tempo médio de espera por consultas com clínico geral nos centros de saúde é de 15 dias, de acordo com a Secretaria de Saúde. A maior cidade do Estado tem 180 médicos atuando nos 56 postos de saúde do município de clínicos na rede de Atenção Básica.

A gerente da Atenção Básica de Joinville, Janine Guimarães, explica que cada posto de saúde tem um conselho de saúde composto por moradores do bairro e por profissionais do posto. Eles que decidem por meio de reuniões as formas de agendamento das consultas e as necessidades da unidade.

Segundo Janine, o problema da falta de clínicos em Joinville começou a ser resolvido em outubro do ano passado, quando foi dado o reajuste no salário da categoria e começou a ser paga uma gratificação. De janeiro até agosto foram contratados 50 clínicos gerais.

— Nós perdíamos muitos profissionais para as cidades da região que ofereciam um salário maior, depois que houve o reajuste a situação mudou — conta.

No Oeste do Estado, em Chapecó, a falta de especialistas é o principal problema. De acordo com a prefeitura, atualmente 136 médicos trabalham nos 27 centros de saúde, mas a atenção secundária tem problemas. A administração pública teve de apelar para a divulgação de vagas em outros estados para conseguir profissionais.

Faltam médicos para atendimento de especialidades pelo SUS

Na avaliação do vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Santa Catarina (Simesc) e médico em unidade de saúde de Florianópolis, César Ferraresi, o agendamento de consultas pelo PSF é mais complicado quando se trata da atenção secundária. Ferraresi lembra que nem todos especialistas atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que pacientes de cidades do interior têm maior dificuldade em conseguir consulta com um cardiologista ou neurologista, por exemplo.

Além disso, lembra que as condições de trabalho e os salários na saúde pública são pouco convidativos, o que faz com que a falta de médicos seja uma constante. De acordo com o Simesc, os salários variam entre R$ 2 mil a R$ 14 mil. Na Capital, no primeiro semestre deste ano, os médicos suspenderam por 10 vezes os atendimentos nos 50 centros de saúde da rede municipal para protestar por melhores condições de trabalho.

— O grande problema da saúde pública é a falta de recursos humanos. Em Santa Catarina, há estrutura e não faltam médicos formados, mas é difícil um profissional permanecer na saúde pública. Quando um médico da saúde pública falta, toda comunidade é prejudicada — afirma Ferraresi.

Segundo a secretaria de saúde de Florianópolis, desde 2010, 173 médicos deixaram as unidades de saúde. No mesmo período, foram contratados 216 profissionais. No total, são 249 médicos. De acordo com a secretaria, por especialidade, o atendimento demora entre uma semana e 15 dias.

Usuários avaliam o funcionamento das unidades de saúde

Com base nos relatos de pacientes, em Santa Catarina é possível conseguir consulta com o médico da família ou clínico em geral em cerca de 15 dias nos centros de saúde de Florianópolis, Joinville e Chapecó. Como a maioria prefere o agendamento presencial, a reportagem visitou unidades de saúde nos três municípios para saber dos usuários como funciona o sistema.

Moradora do Bairro Ingleses, em Florianópolis, há três anos, a aposentada Elma Novaes é uma dos pacientes que preferem ser atendida no centro de saúde. Aos 84 anos, Elma faz consultas para tratar problemas respiratórios e artrites. Tem plano de saúde, mas prefere o posto. Ela avalia o atendimento como bom e diz que esperou no máximo 10 dias por uma consulta. Entretanto, opta em fazer os exames pelo plano por considerar que o atendimento é mais rápido.

No Oeste de Santa Catarina, a encarregada administrativa Edite Pereira, moradora no bairro Santa Maria, em Chapecó, consultou no posto de saúde com um clínico geral no dia 16 de julho. Como teve trombose na virilha, precisa da análise de um especialista. Até a última quarta-feira, a consulta não havia sido agendada.

Edite conta que as consultas com clínico geral não demoram. Quem acorda cedo e enfrenta fila consegue até atender na hora. Mas são apenas quatro a cinco fichas por dia no posto, segundo ela. Pacientes que não consegue no dia tem consulta marcada na semana seguinte.

A corretora de imóveis Silvana Finger elogia o atendimento da rede pública de Chapecó. Tanto que prefere não ter plano de saúde. Silvana disse que conseguiu consulta para diabetes em 20 dias. Na última quinta-feira ela foi consultar na unidade de Saúde do Centro, marcou exames para o dia 4 de outubro e retorno da consulta para o início de novembro. Silvana conta que teve outro problema de saúde, que necessitou de cirurgia, e fez tudo em dois meses, na rede pública. Outra vez que torceu o tornozelo, as enfermeiras iam até sua casa fazer os curativos.

Em Joinville, o aposentado Waldemiro da Roza, 59 anos, que esperava por um exame no Posto de Atendimento Médico (PAM) Bucarein — um dos mais movimentados da região central— conta que conseguiu uma consulta, depois que começou a sentir dores na região abdominal, em três dias.

Em compensação, teve de esperar 20 dias pelo retorno, após fazer os exames.

— Marcar o retorno que é mais complicado, vou fazer o exame daqui a pouco e de certo vai levar mais 15 ou 20 dias para o retorno — disse.

DIÁRIO CATARINENSE
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