BMW vai impulsionar cursos técnicos e universidades Leo Munhoz/Agencia RBS

Guilherme Schmoeller, que está se formando em Automação Industrial, sonha trabalhar na montadora alemã

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

A instalação da fábrica da BMW, no Norte de Santa Catarina, vai impactar os rumos da pesquisa em tecnologia e a educação profissional no Estado. Tendo em vista a chegada da montadora, o Senai Joinville espera receber 23% mais alunos em 2013 do que neste ano. A BMW vai influenciar também a UFSC, que deverá criar disciplinas, laboratórios e cursos de especialização voltados para as demandas da fábrica.

De acordo com a diretora adjunta do Senai Joinville, Elisa Justina, diretores da BMW estiveram no centro de ensino em junho e em agosto deste ano. A intenção da empresa era sondar a disponibilidade e as possibilidades de qualificação de mão de obra no Estado. 

— A decisão positiva da BMW confirma a missão do Senai de promover o ensino técnico para a indústria no Brasil. E, para entrarem na BMW, mesmo os profissionais que já estão no mercado vão precisar de atualização. Esperamos uma procura rápida pelos cursos depois do anúncio da BMW no Estado. Na verdade, já percebemos que o movimento de inscrições aumentou — observa Elisa.

A diretora afirma que, pela importância do setor metalmecânico para o Norte de Santa Catarina, Joinville vai ganhar o Instituto Senai de Tecnologia em Metalmecânica, que terá investimentos privados, do próprio Senai, e do BNDES. Elisa destaca que a presença das fábricas da General Motors (GM) e da BMW, na região Norte, fortalecem ainda mais o setor, além de justificarem a criação do Instituto. Também, segundo ela, os laboratórios vão testar equipamentos da BMW e pesquisar tecnologias para a fábrica.

Hoje, como conta o coordenador do núcleo de Automação Industrial do Senai Joinville, Fábio Karnopp, o centro de estudo já oferece cursos de qualificação para os futuros funcionários da GM. Estes mesmos cursos, segundo Karnopp, influenciaram a visão positiva dos diretores da BMW sobre a mão de obra catarinense.

O estudante Guilherme Schmoeller, de 16 anos, que está se formando no curso de Automação Industrial do Senai Joinville, conta que, assim como muitos de seus colegas, tem o objetivo de trabalhar na fábrica da BMW. Confiante, ele garante que conseguirá o cargo, acreditando que aprendeu no Senai todas as habilidades necessárias.

Enquanto a contratação não começa, Guilherme vai terminar o ensino médio e engatar um estágio na linha de produção da Embraco. Depois de formado, o estudante espera ganhar, no mínimo, R$ 3,5 mil de salário em sua profissão.

Para Amir Antônio Martins, subchefe do departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, a futura parceria entre BMW e a Universidade é inevitável e deverá começar logo depois da instalação da fábrica. De acordo com ele, o reconhecimento que a Engenharia Mecânica da Federal ganhou se deve, principalmente, à forte interação do ensino com a indústria.

A BMW, explica ele, seria uma dessas empresas parecerias, que pelo alto desenvolvimento tecnológico, balizaria os rumos da Universidade. Martins observa que a montadora pode oferecer estágios, formatar disciplinas do currículo, além de cursos de especialização, e até participar da captação de recursos para a criação de laboratórios e financiar projetos.

Também, a mobilidade, com discussões sobre o desafogamento do trânsito e o transporte de cargas, no Brasil, é justamente um dos temas de pesquisa mais importantes na área, hoje, tanto que, em 2009, a UFSC abriu o Centro de Mobilidade, em Joinville, com 400 alunos formados por ano. 

— Os alunos das engenharias da UFSC são muito requisitados no Brasil e no exterior. E acredito que não devemos segurá-los aqui para alavancar o Estado, mas, que devemos, antes, oferecer boas oportunidades. É o que está acontecendo hoje, com a vinda da BMW para Santa Catarina. Tenho certeza que os alunos da UFSC vão querer trabalhar na montadora — afirmou.



Oportunidades
O que a BMW deve exigir, com base na experiência de outras montadoras

Linha de produção — É o trabalho na fábrica, propriamente dita, e exige mão de obra qualificada. O profissional deve ter segundo grau completo e um curso profissionalizante, que não precisa, necessariamente, estar finalizado. Também, deve saber inglês, já que as instruções das máquinas são nesta língua.

Coordenação de apoio — É o pessoal que coordena etapas da linha de produção. Aqui, é preciso ensino superior completo em Tecnólogo em Mecatrônica, Redes Industriais, Informática, ou nas engenharias, como a Mecânica e a Mecatrônica. O inglês fluente é outro requisito.

Gerência — Além do ensino superior completo, é necessário experiência e alguma especialização, como MBA, mestrado ou doutorado.

Alta gerência — Provavelmente será composta só de profissionais alemães e virá pronta da Alemanha, porque são cargos de confiança.

Fonte: Senai Joinville

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