Reportagem do jornal O Globo traz Florianópolis como a "Beverly Hills catarinense" Julio Cavalheiro/Agencia RBS

Em entrevista ao jornal, Mané Ferrari, presidente da Acatmar, diz que Florianópolis só não tem mais barcos porque não tem marinas

Foto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

Florianópolis ganhou destaque na série de reportagens do jornal O Globo sobre os desafios de um país emergente, como o Brasil, com características de nação rica. A matéria mostra que a capital de Santa Catarina vive situação inusitada: ao mesmo tempo em que cada vez mais moradores querem novas marinas — a frota de 1.700 lanchas e iates poderia dobrar imediatamente se a ilha contasse com estruturas adequadas —, Florianópolis é a única capital que, até agora, não contou com qualquer empreendimento do popular programa "Minha Casa, Minha Vida".

Esse é o retrato de algo que foi detectado nos números da Fundação Getulio Vargas (FGV). A cidade tem a maior proporção de ricos entre as capitais. Com 27,7% de sua população na classe A (contra 19,5% do Rio e 17,7% de São Paulo) e 41,6% na classe A/B (contra 28,8% no Rio e 27,1% em São Paulo).

Em entrevista ao jornal, Mané Ferrari, presidente da Associação Catarinense de Marinas, Garagens Náuticas e Afins (Acatmar), diz que "hoje só não temos mais barcos aqui porque não tem marinas, a legislação ambiental proíbe novas estruturas, mas estamos lutando por isso".

Segundo a reportagem do O Globo, uma série de fatores contribui para que a cidade se transformasse de fato em uma Ilha da Magia: "Além de ser a capital de um dos estados mais ricos do país, Florianópolis concentra as atividades administrativas, de serviços e universidades - a cidade também é a capital com maior número de pessoas que concluiu o terceiro grau no país e a com maior número de conexões de internet.

A ilha tem mais de 60% de sua área protegida, mantendo a natureza e impedindo a ocupação desordenada. Assim, suas praias atraíram ricos de outros estados, como paulistas e gaúchos, que buscaram a região por qualidade de vida. E a população é pequena: 420 mil habitantes".

Em depoimento na reportagem, Andrea Druck, diretora da Habitasul, empresa que criou o bairro de Jurerê Internacional, vê uma invasão de novos moradores ricos, muitos de outros estados, nas belas mansões do bairro. Hoje, cerca de 60% das vendas de imóveis de luxo na cidade são para moradores e não para turistas, ao contrário do que ocorria antes no bairro, antes muitos mais de veraneio, justo no local que já foi alvo de muitas ações por seu polêmico licenciamento ambiental.

— O problema não é ser rico, o problema é ser pobre. Devemos ter isso em mente, a felicidade é para ser vivida agora, e não depois, no céu. Temos que mudar a cultura do brasileiro, mas fico feliz que isso já esteja ocorrendo, quando vejo pesquisas que indicam que Eike Batista é um dos principais ídolos da garotada — disse ela, lembrando que cerca de cinco mil pessoas já moram no bairro, o terceiro mais caro do país, atrás do Leblon e de Ipanema.

DIÁRIO CATARINENSE
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