Com um aumento de 44,8% no ano passado sobre 2010, Santa Catarina é o estado onde o número de homicídios mais cresceu no período, aponta o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem.

O estudo reúne informações do sistema nacional do Ministério de Justiça, que mostra que houve 11,7 assassinatos para cada 100 mil habitantes. A secretária executiva do fórum, Samira Bueno, lembrou que o máximo tolerado pela Organização Mundial de Saúde é de 10 casos por 100 mil pessoas.

Acima do teto, a situação é classificada como epidêmica. Em 2010, SC estava dentro deste limite, quando houve 8,1 mortes para cada 100 mil pessoas. Apesar de ter o indicador de homicídios que mais aumenta, Santa Catarina tem a terceira menor taxa do país, atrás de São Paulo (10,1) e Amapá (0,9).

Samira ressalta que o dado referente ao Amapá é bastante questionável, porque significa apenas seis homicídios em 2011, e também pelo fato de o Estado não alimentar de forma correta o sistema do ministério.

Para o presidente da comissão de Segurança e Criminalidade da OAB/SC, Juliano Keller do Valle, a liderança catarinense no crescimento de assassinatos tem relação com baixo investimento em segurança pública.

— Na Polícia Militar, mais gente se aposenta do que são contratados. O número de policiais diminui enquanto a população cresce — afirmou Juliano.

Além disso, os salários são baixos, e o cotidiano estressante e sem condições de trabalho diminui a produtividade. Ele também atribuiu a liderança de SC no crescimento de assassinatos ao histórico de resultados bastante baixos.

Qualquer alteração tem um grande impacto percentual. O conselheiro da OAB nacional Hélio Brasil disse que a maioria dos homicídios está relacionada ao tráfico de drogas. As mortes ocorrem pela disputa entre criminosos por pontos de venda de drogas e na execução de dependentes com dívidas. Ele acrescenta que o problema não é exclusivo de SC, mas um desafio nacional.

SC lidera em lesão
corporal e estupro


O delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D'Ávila, afirmou que está atento à influência do tráfico, e que combater este crime é uma das diretrizes da corporação. Santa Catarina é o oitavo estado que proporcionalmente mais prendeu traficantes no ano passado. Aldo contou que a venda de drogas gera delitos satélites, como roubos, furtos e ameaças.

O Estado ainda lidera o ranking de estupros e lesões corporais (veja gráfico abaixo).
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