Florianópolis cresce com o olhar direcionado para a região Norte Charles Guerra/Agencia RBS

Corporate Park ajudou a mudar o perfil da rodovia e trazer investimentos

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Em 10 anos, os terrenos da SC-401, em Florianópolis, valorizaram 2.000%. É isso mesmo. Se, em 2002, o metro quadrado de um terreno custava R$ 70, em 2007 passou a valer até R$ 600 e hoje, está por até R$ 1,5 mil. Por esta cotação, cada metro quadrado de terreno à margem da rodovia poderia ser trocado por 14,4 gramas de ouro pela cotação da BM&F Bovespa.

A explicação para esse salto é conhecida por quem negocia imóveis ou faz compras no supermercado: o aumento da procura em relação à oferta elevou os preços e reflete a descentralização do polo econômico de Florianópolis. Serviços e empresas estão migrando do Centro da cidade para a rodovia que alcança o Norte da Ilha.

As empresas precisam de espaço, um elemento escasso na região central de Florianópolis atualmente. Tanto é que a Churrascaria Ataliba, há mais de 20 anos instalada no mesmo local na Avenida Beira-Mar Norte, em um ótimo ponto, como o próprio dono da rede, Carlos Ataliba Petters, ressalta, mudou-se, no final do ano passado, para a SC-401.

— Fomos buscar oxigênio. Um espaço que dê oportunidade para a empresa crescer. A Beira-Mar era um ponto excelente, mas acredito que a SC-401, que é uma via duplicada e muito movimentada na temporada, também seja. Na antiga localização, nem tínhamos estacionamento. O novo tem 90 vagas — conta Petters.

Reforçando o novo filão da SC-401, outra churrascaria foi inaugurada há alguns meses, a 100 Tenário. Vale lembrar da tradicional Ponta D'Agulha Costelaria, instalada há quase três anos no quilômetro sete da rodovia, em Santo Antônio de Lisboa.

 

Rodovia vive o pico de sua valorização

O desenvolvimento da rodovia foi puxado verdadeiramente pelos grandes empreendimentos comerciais e corporativos. É do empreendedor Felipe Didone, diretor da Ra Incorporações, administradora do Corporate Park, na entrada de Santo Antônio, a informação de que os terrenos valorizaram 2.000% em uma década.

Segundo o empreendedor, a primeira intenção da incorporadora era construir um shopping a céu aberto. Só que, ao mesmo tempo, eram erguidos o Iguatemi, no Bairro Santa Mônica, e o Floripa Shopping, na mesma SC-401. Além de perceberem que a concorrência estava aumentando, os empresários do Centro mostravam interesse pelas salas do futuro empreendimento, preocupados com a falta de espaço para crescer onde haviam investido em um primeiro momento.

A incorporadora identificou a demanda e mudou os rumos do projeto. O empreendimento, inaugurado em 2009, ganhou o nome de Corporate Park e atraiu para a maioria dos espaços oferecidos empresas focadas nas áreas de comunicação e de tecnologia.

Na avaliação de Didone, a SC-401 está experimentando, neste momento, o pico da valorização dos terrenos, imóveis e aluguéis. Segundo o empreendedor, nos próximos 10 anos, o mercado imobiliário da região vai continuar crescendo, mas a um nível entre 20% e 30% ao ano. Um percentual que, surpreendentemente, pode ser considerado baixo, se comparado ao ritmo galopante da última década.

 

Descentralização traz novo corredor

Em frente à entrada para o Cacupé, um tapume da CFL Construções envolve uma enorme área verde. Ali será inaugurado, em 2016, o Square Corporate, um empreendimento empresarial de 108 mil metros quadrados que vai abrigar restaurantes, lojas e serviços. O investimento se baseou em um estudo de mercado que identificou a descentralização do polo econômico de Florianópolis. E parece não haver volta.

Um empreendimento atrai outros em progressão geométrica e a rodovia se torna um verdadeiro corredor de negócios. Projetos como os do Corporate Park e do Square Corporate, previram, em seus projetos, uma estrutura completa para um funcionário solucionar o dia sem sair do local em que trabalha.

Para Ricardo Saldanha, diretor da construtora CFL em Santa Catarina, a falta de estrutura para os pedestres na região da rodovia não é um problema:

— A SC-401 é uma rodovia rápida, que não tem o perfil de receber pedestres. Mas as pessoas podem chegar aos lugares por meio de transporte público e particular. E a ideia é que os empreendimentos tenham calçadas, passeios e sejam autossuficientes.

O chefe de arquitetura da prefeitura de Florianópolis, Rodolfo Matte, discorda desta avaliação:

— Essa é a coisa mais absurda que alguém pode dizer. Todo mundo é pedestre. Temos que acabar com esse raciocínio rodoviarista — argumenta.

Sobre os projetos da prefeitura para melhorar as condições da rodovia, Matte disse que o novo Plano Diretor trará soluções para os pedestres, como a construção de calçadas, ciclovias e transporte público de massa sobre trilhos. O prazo seria "para ontem".

 

 

DIÁRIO CATARINENSE
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