O Diário Catarinense encerra hoje a série A Máfia das Cadeias, que trouxe à tona as raízes do crime organizado em Santa Catarina e a relação com as duas ondas de atentados registradas em 2012 e neste ano. Com as reportagens, o DC procurou não apenas revelar detalhes de um capítulo triste da história recente do Estado, mas também jogar luz ao que pode acontecer daqui para a frente, após a conclusão da investigação sobre os atos terroristas e a transferência dos principais integrantes da facção para penitenciárias de Mossoró (RN) e Porto Velho (RO).

Durante cinco dias de publicação, a reportagem recebeu perguntas dos leitores, como Laudelino José Sardá, interessados em saber o que o futuro reserva a Santa Catarina. O questionamento mais comum é se há possibilidade de novos atentados. As autoridades da área de segurança e a análise jornalística de 4 mil páginas de documentos evidenciam que o Estado está, sim, menos vulnerável, especialmente pelo envio dos líderes do PGC para o sistema penitenciário federal, por pelo menos dois anos. Mas não há garantia de que os catarinenses estão livres de novos ataques.

1) Ainda estamos vulneráveis? Os incêndios podem ser retomados pelos bandidos?
Todas as medidas preventivas foram e estão sendo adotadas e as vertentes criminosas são acompanhadas através da evolução das agências de inteligência, informa a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Na avaliação do diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Leandro Lima, Santa Catarina está menos vulnerável em razão da articulação e integração dos órgãos de inteligência.

2) Há líderes suficientes no Estado para desencadear novo atentados?
A SSP entende que lideranças negativas podem se formar a qualquer momento. Mesmo em organizações criminosas, não há vácuo de poder. Alguém pode ocupar essa liderança, mas a possibilidade de novas investidas é alvo constante por parte das forças policiais. O delegado geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D'Ávila, ressaltou que as investigações continuam e que mais pessoas poderão ser presas

3) O que levou realmente os bandidos a pararem os ataques?
Um conjunto de ações. Depois de 204 prisões, num espaço de 45 dias, não há organização que se sustente.

4) A polícia demonstrou competência nesse trabalho. Qual a participação da tropa nacional?
A Força Nacional atuou de forma específica na contenção do sistema prisional, evitando distúrbios, e na remoção e transporte dos presos.

5) Os celulares com os criminosos são meios de pesquisa da própria polícia?
Todas as formas de comunicação, além de meios eletrônicos, bilhetes, familiares, são objetos de investigação. O diretor do Deap revela que apenas 11 das 49 cadeias do Estado têm bloqueadores de celular. Leandro defende mais equipamentos e que a corregedoria do sistema prisional seja fortalecida para apurar os desvios de conduta.

6) Como, realmente, as crianças estão sendo levadas ao mundo do crime?
Os adolescentes envolvidos com o crime geralmente moram em locais de vulnerabilidade, são de família desestruturada e têm pais ausentes. Os jovens que cometeram atentados alegam que tinham dívidas de drogas, segundo afirma o coordenador da Infância e Juventude do Ministério Público, promotor Marcelo Wegner.

7) Por que os pais e o Estado são coniventes?
Pelo menos na frente do juiz, os pais se mostram indignados. Reclamam que passam o dia fora de casa trabalhando e não podem fiscalizar os filhos, relata o promotor. O Estado promete melhorar as iniciativas de recuperação de jovens infratores com a construção de quatro Centros de Atendimento Socioeducativo (Case), na Grande Florianópolis, em Criciúma, em Lages e em Chapecó, até 2015.

8) O Estado vai ter uma prisão em regime disciplinar diferenciado?
O governo do Estado garante que vai haver a implantação do chamado RDD em Santa Catarina, mas no momento não há nenhum projeto. O governador Raimundo Colombo afirma que não vai anunciar detalhes, porque desde o nascimento da proposta a medida seria motivo de protesto na cidade escolhida. Além disso, o governo prevê a ampliação e construção de penitenciárias e presídios, do regime fechado e semiaberto, masculino e feminino, num total de 6.352 novas vagas.

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