História de Palhoça está viva na memória dos moradores Charles Guerra/Agencia RBS

A sacada da antiga Prefeitura, construída no século 19, mostra um pouco da história de Palhoça.

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Elementos que estavam presentes na infância do trio de amigos Orival João Silveira de Souza, 77 anos, Ronaldo Zacchi, 76, e Gedalvo dos Passos, 85, vão aos poucos desaparecendo de Palhoça. A cidade, que completa 119 anos no próximo dia 24, deixa para trás os casarões do começo do século passado para dar vez ao rápido crescimento dos últimos anos, ao trânsito intenso e às novas construções. 


A Palhoça da infância dos três amigos
Foto: Arquivo Pessoal

Mas um cenário bucólico se forma nas lembranças dos amigos que cresceram juntos. Hoje, os três vivem no Centro da cidade, com a nostalgia de um dia ter caminhado pelas ruas e de poder cumprimentar cada pessoa pelo nome. Daquela época, que não voltará mais, ficou apenas o assunto para infindáveis conversas na praça ou numa visita qualquer.

Orival é funcionário público aposentado e está prestes a lançar um livro sobre suas memórias na região da ponte do Rio Imaruim, onde nasceu.

Ronaldo é aposentado, foi jogador do Guarani e do Figueirense e agora passa seu tempo e coleciona suas lembranças em estátuas de argila.

Gedalvo dos Passos, além de ex-professor e ex-funcionário público, é fotógrafo reconhecido na região. Deixou de pilotar as máquinas fotográficas há apenas quatro anos, quando resolveu se aposentar de vez.

A amizade deles ultrapassou as paredes da Escola de Ensino Fundamental Venceslau Bueno, onde estudaram Orival e Ronaldo.

Orival vinha da Ponte do Imaruim até o Centro da cidade para estudar. O então futuro jogador de futebol, Ronaldo, sempre morou na área central. Gedalvo entrou para a “turma” no dia a dia, apesar de ser mais velho que os dois. Os três trabalharam juntos e conviviam sempre.

Mas todas estas lembranças, que foram importantes para uma geração, parece não resguardada para eles. Deste tempo que os três cismam em lembrar não era tão comum ver grandes comemorações para o aniversário da cidade. Sem as grandes festas, a data às vezes passava despercebida.

"Somos a patota de antigamente"

 
Os três se conheceram na infância e ainda são amigos
Foto: Charles Guerra

Se estas memórias estão se perdendo, o único jeito que Orival encontrou para prendê-las mais um pouco foi fazer um livro. As páginas de papel são ferramentas para manter os bons momentos que ele viveu junto com amigos e com a família. Ele está prestes a lançar Minhas Memórias: Fatos e Relatos da Ponte do Imaruim e Casqueiro, uma história sobre a vida a partir da década de 1940, os moradores, os costumes e crenças. Sem deixar para trás os tempos das fábricas de cal de concha, os engenheiros de farinha e a pesca artesanal.

Ronaldo eterniza seus momentos mais bonitos de uma infância tão distante na argila. Esculpe vagarosamente suas lembranças. São obras que representam os momentos mais marcantes, pessoas representativas para uma Palhoça de outros tempos, quando não haviam congestionamentos e os carros pouco passavam pelas ruas, que eram tomadas pelas pessoas.

Já Gedalvo, que poderia ter eternizado com fotos toda esta nostalgia, optou apenas pela memória e por contar aos netos e aos amigos o que um dia viu e viveu. Poucas imagens guarda daquela época, em que virava as noites em festa e depois seguia para o trabalho, sem nunca se atrasar.

Apesar de terem vidas tão diferentes, o que eles têm de comum Gedalvo resume bem:

—Somos a patota de antigamente.

DIÁRIO CATARINENSE
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