Imprimir objetos tridimensionais já é realidade para empresas catarinenses Alvarélio Kurossu/Agencia RBS

O designer de produtos da Intelbras, Edmar Brusque, garante que o investimento compensa pela facilidade em poder controlar o processo de criação internamente

Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

Para quem acompanhou a série de ficção científica Jornada nas Estrelas, a impressão de objetos tridimensionais pode parecer familiar. Chamada de terceira revolução industrial, prototipagem rápida ou manufatura aditiva, a impressão 3D não é algo recente.

>>> Confira a galeria de fotos de impressão em 3D 

Seu início é datado dos anos 1980, nos Estados Unidos. Porém, atualmente os preços mais acessíveis e a chegada de fabricantes nacionais fazem com que a tecnologia conquiste espaço entre os catarinenses. A Intelbras é uma das empresas do Estado que conta com a impressora 3D.

Conforme o designer de produtos Edmar Brusque, o investimento compensa principalmente pela facilidade em poder controlar o próprio processo internamente. Ele conta que a Intelbras adquiriu uma impressora Cliever CL1 há cerca de quatro meses e que o equipamento é fundamental para a área de criação.

::Confira o vídeo de um objeto criado exclusivamente para o Diário Catarinense em uma impressora Cliever CL1:

— O processo de desenvolvimento de um novo produto é bastante amplo e precisamos realizar testes, analisando a ergonomia, a qualidade das superfícies, a qualidade visual e o funcionamento a fim de refinar e melhorar o produto — explica.

Brusque acrescenta que embora o acabamento dos modelos impressos seja de qualidade inferior se comparado a um modelo feito externamente, a economia nos custos é de aproximadamente 80%. Além disso, o prazo médio de desenvolvimento da peça passa de duas semanas para dois dias.

Outra empresa que aposta na prototipagem rápida é a C-Pack, fabricante de embalagens plásticas sediada em São José, na Grande Florianópolis, que comprou uma impressora 3D, modelo Alaris 30 da Objet, há cerca de dois anos.

De acordo com o designer de desenvolvimento de novos produtos da C-Pack Marcelo Carlos Rieke, a ideia inicial era utilizar o equipamento para criar protótipos internos, mas atualmente a empresa fabrica protótipos para terceiros. Além disso, a impressora já foi usada para reproduzir uma peça que estragou na empresa e cuja substituição demoraria a acontecer porque a mesma é fabricada fora do país.

Segundo Rieke, o investimento de R$ 45 mil no equipamento compensa e resulta em menos gastos com alterações em moldes, produto final e logística. Isso porque um protótipo que demorava dois dias para ser finalizado agora se materializa em algumas horas. Sem falar na maior qualidade de apresentação dos protótipos e das vantagens de desenvolver novas embalagens dentro da fábrica, com a garantia de confidencialidade.

Diante de tantas vantagens, quem comemora são os fabricantes de impressoras 3D, como a Cliever Tecnologia. Santa Catarina atualmente é o maior mercado da startup gaúcha. Criada em 2011, o fundador da empresa Rodrigo Krug diz que a Cliever é a primeira fabricante nacional do equipamento.

— No começo, a nossa meta era vender de uma a três impressoras por mês, mas já alcançamos a marca de 20 a 25 equipamentos mensais — comemora Krug.

A Cliever conta atualmente com 63 máquinas em funcionamento em todo o Brasil, das quais sete em solo catarinense.

::Confira os Preços

— Metamáquina 2 - R$ 3,7 mil

— Cliever CL1 - R$ 4,6 mil

— Cube (da Robtec) - R$ 6,7 mil

::Como funciona

O processo inicia com a criação do modelo 3D da peça em um software no computador. Em seguida, o desenho é fatiado eletronicamente e obtém-se as curvas de níveis 2D que definirão cada camada do objeto a ser impresso. Estas camadas serão processadas sequencialmente, indo da base até o topo da mesma.

::Os Tipos

Há vários tipos de processos usados na criação de objetos. Os mais comuns são a estereolitografia, que consiste na aplicação de laser em uma resina líquida; e a modelagem por fusão e deposição, que é o princípio das impressoras 3D domésticas. Em geral, o filamento usado para a fabricação da peça é o ABS. Ele é derretido e depois forma o objeto através da sobreposição de camadas na impressora.

DIÁRIO CATARINENSE
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