Polêmica em meio a 28 toneladas de tainha pescadas em Florianópolis Guto Kuerten/Agencia RBS

Federação de Pesca diz que primeiro dia na região de Florianópolis superou as expectativas

Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

O amanhecer do primeiro dia da temporada oficial de pesca da tainha em Santa Catarina teve para a comunidade pesqueira uma notícia animadora e uma que liga o alerta. As pelo menos 28 toneladas retiradas do mar na quarta-feira podem ser o indicativo de que a safra deste ano será boa. Mas a multa aplicada pelo Ibama em um pescador por uso de rede de pesca irregular gerou protesto em Florianópolis.

Instrução Normativa do Ibama 171 prevê que os barcos de pesca artesanal (que capturam entre 800 metros e cerca de 9 km) devem utilizar rede de espera na pesca da tainha e não rede de cerco. Mas os pescadores alegam que tal rede não é apropriada para a pesca da tainha. O pescador da Praia do Pântano do Sul, em Florianópolis, foi multado em R$ 1,4 mil. Em Passo de Torres, no Sul do Estado, outro pescador foi advertido pelo Ibama.

— Com a rede de espera a tainha passa por cima ou por baixo e não conseguimos pescar. Eu tenho 50 anos e pesco desde os meus 13 anos. Sempre pesquei com rede de cerco. Não tem outra forma de pescar — reclama o presidente da Associação de Pescadores Artesanais da Praia dos Ingleses, Odilon Dercídio de Souza, 50 anos.

O presidente da Federação de Pescadores de Santa Catarina, Ivo de Souza, pretende levar a questão até Brasília.

— Vamos pedir que o Ibama suspenda esta medida para esta safra, para não prejudicar os pescadores.

Nesta quinta-feira, às 13h, pescadores vão se reunir na sede da federação para discutir o assunto e encaminhar um ofício para o Ibama.



Largada da safra da tainha é considerada animadora

Enquanto as questões legais não são resolvidas, na areia há comemoração. As cerca de 28 toneladas capturadas só na região de Florianópolis — a Federação não tinha informações sobre as quantidades pescadas no Litoral Sul — foram animadoras.

— Este primeiro dia foi excelente, acima das expectativas. Para se ter uma ideia, no ano passado as primeiras tainhas foram capturadas só no dia 20 e não foi nem 10% do que foi pescado hoje — afirma o presidente da Federação de Pesca.

Agora há uma torcida especial para que o tempo traga mais frio e o vento Sul porque com eles, normalmente, vem a tainha.

Pesca foi feita na praia do Campeche pela manhã de quarta-feira.
Confira:



Tradição mantida viva

Com a dificuldade de sobreviver da pesca, muitos homens buscaram outras profissões para garantir o sustento da família. A pesca acabou virando um complemento para a renda, mas nesta época do ano, tem a força para unir comunidades inteiras. E o lanço dos peixes mantém a tradição da pescaria açoriana.

Em cada barco do arrastão há um capitão, quatro remadores e o chumbeiro — o homem que joga a rede no mar. Há também os vigias, que avisam quando o cardume passa. Na praia, ficam cerca de 50 pessoas, que seguram a outra ponta da malha e a puxam para trazer os peixes. Entre elas não há apenas pescadores, mas pessoas de todas as idades e profissões, que fazem questão de participar da tradição.

Na manhã de quarta-feira, abertura oficial da safra 2013 da tainha na Região Sul do Brasil, o funcionário público Rogério Martins ajudou a puxar a rede de um dos barcos no Campeche, que capturou mais de uma tonelada de tainha. O esforço para trazer os cardumes até a praia valeu à pena: tomou um caldo de peixe fresco no barracão e pegou seu quinhão — parte da divisão dos peixes entre as pessoas que ajudam a arrastar a rede. Em seguida, foi para casa, arrumou-se e seguiu em direção à prefeitura de Florianópolis, onde é funcionário há 30 anos.

— Quando chega maio e junho, volto às raízes. Para mim é um lazer e uma forma de manter a tradição de meus pais — disse.

DIÁRIO CATARINENSE
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