Celesc volta a investir em geração de energia em Santa Catarina após 13 anos Vani Boza/Agencia RBS

Obras de ampliação na Serra começaram em 2010 e mobilizaram mais de 600 trabalhadores

Foto: Vani Boza / Agencia RBS

Com um faturamento de R$ 7 bilhões por ano, a Celesc busca ampliar a receita anual a partir da geração própria.

A maior estatal de SC em receita líquida e sétima distribuidora de energia do país vai inaugurar no dia 16 de agosto a ampliação da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Pery, em Curitibanos. A potência da unidade passará dos atuais 4,4 megawatts (MW) para 30 MW, o que representa 1,25% dos 2,4 mil MW consumidos no Estado.

Para a nova ampliação — que proporcionou impacto socioambiental mínimo pelo fato de não haver novos alagamentos, desapropriações e realocações de pessoas — a Celesc investiu R$ 125 milhões, valor que compreende o aumento da usina, a construção da subestação e da linha de transmissão. Sozinha, esta PCH aumentará em um terço a capacidade total de geração da empresa.

O investimento anterior em geração feito pela estatal foi a repotencialização na PCH Palmeiras, em Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí, no ano 2000. Com a ampliação feita agora em Curitibanos, as 12 PCHs que a Celesc tem em SC aumentarão o parque gerador da empresa dos atuais 81,1 MW para 107 MW (chegando a 4,45% do que é consumido no Estado).

O acréscimo de 32% faz com que a estatal tenha geração suficiente para abastecer cerca de 200 mil unidades consumidoras – ou 800 mil pessoas.

Empresa mantém a hídrica como principal fonte de energia

A energia será comercializada pela Celesc através do sistema nacional. A estatal espera que o retorno dos investimentos ocorram entre sete e 10 anos, conforme a variação do preço que a energia tiver no mercado.

O presidente da estatal, Cleverson Siewert, destaca que 97% do faturamento da Celesc vem da distribuição de energia. Os outros 3% são provenientes da geração, transmissão e parcerias. Porém, como a distribuição é muito regulada no Brasil, as companhias investem cada vez mais em geração e transmissão.

— Há alguns anos a empresa pensava em gerar energia, mas só tinha vontade ou parcerias menores. Agora tem mais ativos e está mais atuante — diz Siewert.

Ainda que a União aposte no carvão atualmente, a Celesc mantém a hídrica como a sua principal fonte de geração.


Companhia busca sócios para projetos

De fevereiro a maio deste ano, a Celesc captou R$ 300 milhões por emissão de debêntures — operação de venda de títulos de dívida junto ao mercado financeiro. A companhia estatal estuda a viabilidade de ser sócia minoritária em empreendimentos, com participação limitada a até 49% dos investimentos.

— Não precisa ser necessariamente em SC, pois a geração de energia é nacional. E não temos escolha específica (da fonte energética). Pode ser elétrica, térmica, biomassa, eólica. Não importa. Temos recursos e projetos em estudos, e este momento é um marco histórico para a Celesc — comenta o presidente da companhia, Cleverson Siewert.

Em 2012, a Celesc participou de um leilão e ganhou a concessão para construir duas subestações de rede básica para transmissão de energia nas cidades de Lages e Gaspar. Ainda no ano passado, em outubro, a companhia realizou uma chamada pública em busca de parceiros para empreendimentos de geração.

Até o momento foram recebidas 34 propostas, das quais, 17 PCHs (sendo duas no estado de São Paulo e uma no Paraná), 15 usinas eólicas e duas térmicas. Em SC, os projetos concentram-se nas regiões Sul (eólicas) e Serra, Oeste e Centro-Oeste (PCHs). Os projetos de usinas térmicas, abastecidas com gás natural, estão localizados em Tijucas, na Grande Florianópolis, e Trombudo Central, no Alto Vale do Itajaí.

DIÁRIO CATARINENSE
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