A internet se transformou no espaço de experimentação da sexualidade. Segundo especialistas, a questão é como lidar com a exposição indevida na rede e tentar entender por que há tanto sentimento de vergonha e culpa envolvendo esse tema.

Para Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil, ONG voltada ao combate à pornografia infantil e outros crimes praticados na internet, os recentes casos de suicídio das adolescentes motivados pela exposição na rede demonstram a força do machismo e da desigualdade de gênero quando o assunto é sexo.

— Há uma condenação explícita à sexualidade feminina. Além de vítimas, as mulheres são publicamente humilhadas, quando na verdade estão no livre exercício da sua sexualidade, mesmo se adolescente. Quem compartilha ou comenta essas imagens também agride, e as pessoas precisam parar para pensar que tipo de julgamento é esse. Se não houvesse tanta pressão, não seria tão forte a ponto de levar uma adolescente a tirar a própria vida. Não é só o vazamento que provoca o fim trágico. A reação social é muito violenta contra as mulheres.

Ele também afirma que, por não haver qualquer tipo de mediação no ambiente virtual, os jovens interpretam as imagens sem maturidade nem informação suficiente para ter um olhar crítico sobre o conteúdo que recebem.

De acordo com a psicóloga e sexóloga Maria Claudia Lordello, coordenadora da Psicologia do Projeto Afrodite — Ambulatório de Sexualidade Feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) —, o tema deve ser trabalhado com mais naturalidade e de forma aberta, para que o jovem não se sinta tão vítima da situação.

— Ter contato sexual via internet hoje é muito mais comum do que no passado, e isso tem que ser aceito. Mais do que abordar a questão da exposição, o que envolve aqui é muito mais uma dificuldade de entender que a sexualidade faz parte, e as meninas não sabem lidar com isso — argumenta a especialista.

O impacto dessa superexposição pode ser devastador mesmo em pessoas que nunca tiveram quadro de depressão ou qualquer tipo de transtorno, segundo a psicóloga Aline Restado, do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas. Quem estiver passando pos situações semelhantes pode contar com ajuda de psicólogos especializados que oferecem atendimento gratuito em sites como o canaldeajuda.org.br e o cvv.org.br.

DIÁRIO CATARINENSE
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