Confusões ocorreram antes e depois da votação do Plano Diretor Felipe Carneiro/Agencia RBS

Guarda Municipal usa choque elétrico contra manifestantes

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Em meio a protestos e tumultos, a redação final do Plano Diretor de Florianópolis foi aprovada na Câmara de Vereadores na tarde desta segunda-feira. A Guarda Municipal permitiu a entrada de 85 pessoas na Casa, alegando estar mantendo o limite permitido para participação popular.

Momentos antes da votação, manifestantes que ficaram de fora tentaram forçar entrada, mas foram impedidos. Do lado de dentro também houve confusão. Um grupo de jovens, que protestava contra o bloqueio e tentava abrir passagem para os demais, foi coibido pela guarda, munida com aparelhos de choque elétrico.

Os parlamentares, preocupados com os socos e pontapés desferidos pelos manifestantes contra os vidros do Plenário, votaram rapidamente a favor da matéria. Somente três vereadores colocaram-se contra o projeto e se pronunciaram: Pedrão (PP), Lino Peres (PT) e Afrânio Boppré (PSOL).

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Durante a sessão, Foram apreciadas somente alterações textuais, correções ortográficas e detalhes de redação do projeto. As 305 emendas aprovadas e as 300 rejeitadas na última sessão do dia 30 de dezembro foram mantidas.

— Com a aprovação, a sensação é de tristeza imensa, porque Florianópolis não terá seus problemas resolvidos.  Vejo que o Plano ficou restrito ao loteamento, o que é muito pouco para uma cidade que quer ser referencia de qualidade de vida e turismo — disse Pedrão.

O presidente da Câmara, vereador César Faria Belloni Faria (PSD), comemorou o resultado:

— Ocorreram inúmeras emendas de redação, que inclusive foram discutidas em conjunto com o IPUC. Algumas foram acatadas, outras não, como é natural acontecer. Acredito que agora a cidade tem seu novo marco e vai poder planejar-se com foco no desenvolvimento.

A partir de agora, o prefeito Cesar Sousa Junior tem um prazo de 15 dias úteis para se manifestar em relação ao texto final do Plano Diretor aprovado na Câmara de Vereadores. O projeto entra em vigência assim que for sancionado e publicado no Diário Oficial. Os vetos, se houverem, voltam ao Legislativo e os vereadores podem votar sua manutenção.

Espuma versus pimenta

Logo após o término da sessão, houve conflito entre manifestantes e a Polícia Militar na frente da Câmara, na Rua dos Ilhéus. Entoando cantos como "Ilha da magia, ela é do povo e não da burguesia", os manifestantes usaram spray de espuma na polícia, que reagiu com cassetetes e spray de pimenta. Ao menos cinco pessoas ficaram feridas.

Após o tumulto, o estudante de 18 anos Carlos Rodrigo Chaves foi detido e levado 1ª Delegacia de Polícia da Capital sob custódia, acusado pela PM de cometer desacato à autoridade. Cerca de 50 manifestantes se dirigiram até a delegacia e fecharam a rua com placas e latões de lixo em apoio ao rapaz.

— Eu estava manifestando pacificamente. O policial partiu para cima de uma moça que também estava usando o spray de espuma e eu fiquei na frente. Ele me imobilizou e me conduziu à delegacia. Fui ofendido logo que cheguei. O uso de espuma é comum no Carnaval. Por que eu tive que ser detido por isso durante um protesto? — questionou o jovem.

O comandante da PM responsável pela operação, coronel Araújo Gomes, afirmou que a ação foi legítima, uma vez que os manifestantes estavam usando o spray diretamente no rosto dos policiais.

— É sabido que essa espuma é tóxica e pode causar lesões se usada diretamente no rosto de alguém. Fora isso, iremos agora analisar cuidadosamente o episódio para saber o que realmente aconteceu_limitou-se a dizer o comandante.

Confira a galeria de fotos:

 

Veja o vídeo da confusão durante a votação:

DIÁRIO CATARINENSE
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