Posto de gasolina de Rancho Queimado preserva arquitetura trazida dos EUA na década de 1950 Jessé Giotti/Agencia RBS

Posto foi construído para abastecer a crescente frota de caminhões que passavam pela cidade

Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Quando Teófilo Schütz assinou com a companhia americana Texaco e inaugurou um posto de gasolina em Rancho Queimado, o novo estabelecimento representava a chegada da mais alta tecnologia à região. Em 1958, o Brasil produzia carros havia apenas um ano, e ter um fornecedor de combustível local era sinônimo de importância para o distrito de Taquaras. Os tempos mudaram, mas o posto da família Schütz não: seis décadas depois, o estabelecimento perdeu os ares de modernidade importada para se transformar num símbolo da história do município.


Aldo Schütz, marido de Salete e neto do fundador do posto, posa em frente ao estebelecimento na década de 1950. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Para abastecer a crescente frota de caminhões que circulavam por Rancho Queimado, Schütz já havia montado um posto – bem menor – em 1949, do outro lado da rua. A demanda cresceu e foi necessário não apenas ampliar o estabelecimento, mas transformar o edifício ao lado em hotel e outro numa oficina mecânica. O hotel fechou e a oficina virou centro comunitário, mas o posto permanece firme no mesmo local. 

— Nunca vimos necessidade em tombar o imóvel como patrimônio histórico. Temos feito isso muito bem sem envolvimento do poder público — conta Salete Coelho Schütz, 62 anos, vereadora em Rancho Queimado e uma das herdeiras do estabelecimento.


Administradora do posto e vereadora de Rancho Queimado, Salete Schütz guarda todo o tipo de registro histórico sobre a cidade. Foto: Jessé Giotti/Agência RBS

De fato, poucas mudanças foram feitas: para se adequar às normas da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as bombas de gasolina foram trocadas e um piso de concreto com canaletas para água foi instalado. O antigo depósito anexo ao posto virou uma lojinha de conveniências, mas os móveis permanecem os mesmos desde a década de 1950.

Agora, Salete tenta atender à solicitação de instalar um telhado no estabelecimento, mas ela ainda não enxerga como vai fazer isso sem estragar o conjunto inteiro. 

— Tentei trocar apenas o "miolo" das bombas para manter o visual, mas não foi possível. Pediram para que eu instalasse uma cobertura, mas já fizemos simulações com todo o tipo de telhado, todos descaracterizam a arquitetura.

 
Bombas de combustível tiveram que ser trocadas para seguir legislação, mas família teme que a instalação de uma cobertura descaracterize o edifício. Foto: Jessé Giotti/Agência RBS

DIÁRIO CATARINENSE
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