O discurso padrão entre os parlamentares da Assembleia Legislativa é que não se pode relacionar um assunto a outro, mas o afastamento de Romildo Titon (PMDB) da presidência do Legislativo pode afetar a articulação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta pelo deputado Jailson Lima (PT) para investigar salários acima do teto constitucional e a compra de um imóvel por parte do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC).  

Lima não nega que o fator Titon pode ser usado a seu favor, mas ressalta que a proposta é anterior ao caso do presidente afastado. Após apresentar seu posicionamento aos membros do seu partido, o petista tentará na próxima semana convencer as bancadas do PP e do PMDB a aderirem ao projeto.

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Após ser afastado, Titon usou a tribuna da Assembleia e, em um discurso inflamado, convocou seus pares a questionar a conduta do MP-SC, mostrando-se favorável à CPI. Poucos dias antes, o agora presidente afastado mantinha-se neutro. Outro pemedebista que aderiu à proposta de comissão é o deputado Edison Andrino.

Por outro lado, a bancada do PSD garantiu que não irá fornecer assinaturas. Segundo o deputado Darci de Matos, líder da sigla, é preciso que os poderes mantenham um bom relacionamento entre si que seja respeitada a tarefa de cada um deles. 

São necessárias no mínimo 14 assinaturas de deputados para a comissão ser instaurada, mas circula nos corredores do Legislativo a informação de que os membros da Casa estariam com receio de se indispor com um órgão que, se provocado, teria o poder de desengavetar ou iniciar novos processos de investigação contra os parlamentares.

 

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