Delegado pede perícia complementar na investigação da morte de jovem após ação policial em Florianópolis Cristiano Estrela/Agencia RBS

Lucas ainda foi levado de ambulância ao Hospital Regional de São José, mas chegou morto

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

O delegado da Homicídios, Adriano Almeida, solicitou que uma equipe de perícia do Instituto Geral de Perícias (IGP) volte neste sábado à casa nº 72 da Rua Jair Dias do bairro Jardim Atlântico, Florianópolis, onde Lucas Mafra, 18 anos, morreu na noite de sexta-feira, dia 30 de janeiro, após confronto com a Polícia Militar. Durante a semana, o delegado ouviu depoimentos dos policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) do 22º Batalhão da Polícia Militar envolvidos na ocorrência, além de testemunhas da vítima.

— A investigação ainda deve levar um tempo, ainda preciso ouvir mais pessoas, mas o que posso dizer é que há duas versões diferentes para a história e esta perícia complementar vai colher mais evidências para desvendarmos o caso — comentou o delegado.

Familiares do morto afirmam que os policiais teriam invadido a casa, levado o rapaz desarmado para os fundos do terreno, onde teria ocorrido os disparos. Na versão da PM, Lucas foi apontado como suspeito de assaltos na região e após ser abordado na frente de casa teria corrido para o interior do terreno. Ao ser perseguido, o jovem teria disparado contra a guarnição, que revidou. Lucas ainda foi levado de ambulância ao Hospital Regional de São José, mas chegou morto.

A reportagem visitou a casa e entrou no terreno horas depois. Nos fundos, ao lado de uma piscina de borracha onde Lucas foi alvejado, o chão estava lavado e havia na parede marcas dos disparos e duas manchas que apresentavam ser de mãos ensanguentadas.

A diretora do Instituto de Criminalística do IGP, Sidnéia Mansanari, explicou que a perícia deste sábado tem por objetivo colher novas evidências para conclusão do laudo, que pode sair na próxima semana se não houver prorrogação. Além do inquérito na Delegacia de Homicídios, o fato deve ser analisado em um inquérito na Corregedoria Geral da Polícia Militar.

Lucas, conhecido por Bolinha, foi apontado como autor da morte do policial Misael Gonçalves, o Índio, em julho de 2011. Ele chegou a cumprir medida socioeducativa durante um ano em Curitibanos e Blumenau, mas estava em liberdade. O rapaz também tinha passagens por furto e assalto.
DIÁRIO CATARINENSE
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