Pesquisadora da UFSC quer relacionar simplicidade à qualidade de vida Guto Kuerten/Agencia RBS

Maria Florindo, 84 anos, moradora da Barra da Lagoa é uma das figuras-chave da investigação

Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Estudo ainda em andamento no doutorado em Psicologia Ambiental da UFSC busca provar o que nativos da Ilha descobriram há muito tempo: simplicidade nos hábitos diários pode ser um caminho para vida longa e saudável. Com foco na qualidade de vida, a pesquisa vai na direção de que cuidar hoje da sobrevivência das futuras gerações é uma forma de desenvolvimento ecossustentável.

A frugalidade da alimentação, moradia e lazer dos moradores parte do respeito ao meio ambiente e o cuidado com o coletivo. Estas e outras tradições locais são mantidas com a união da comunidade. Uma das figuras-chave da investigação é Maria Florindo Vieira, 84 anos, moradora da Barra da Lagoa, que com o jeito de viver contribui para a manutenção do conhecimento popular.

Em 2009, ela já atravessava o Canal da Barra usando um pranchão, antes da popularização do stand up paddle. Neste verão, Maria já não usa mais a prancha, mas com a bateira, o barco usado pelos pescadores, se desloca ao longo do rio. Mas o que faz uma mulher passar dos 80 anos com tanta disposição? A receita pode ser mais simples do que parece e a satisfação, um auxílio no envelhecimento.


De acordo com Jordelina Schier, enfermeira gerontóloga e coordenadora do Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI) da UFSC, pesquisas apontam que pessoas capazes de desenvolver formas de vencer as adversidades no trabalho e nas relações interpessoais têm maior satisfação.

— Isso tudo vai contribuir para a aceitação do envelhecimento como mais uma etapa da vida. Essa satisfação é fundamental — diz Jordelina.

No sobe e desce do morro, carregando peso, conversando com vizinhos, os 13 filhos, 28 netos e 11 bisnetos, Vó Maria, como é conhecida, cultiva tradições, como a corrida de bateira que organiza todos os anos. Ao pirão d’água e ao peixe diários, atribui a vitalidade e a coragem, características importantes para alguém que sobe numa prancha mesmo sem saber nadar.

— Sei que ainda é tempo para aprender natação, mas não estou com paciência. Quem sabe um dia — cogita Vó Maria.

DIÁRIO CATARINENSE
 DC Recomenda
 
 Comente essa história