Investigação do Ministério Público divide partidos na Assembleia Flávio Neves/Agencia RBS

Compra de casa no valor de R$ 123 milhões é o pivô do embate entre MP e Assembleia.

Foto: Flávio Neves / Agencia RBS

Na tentativa de impedir que a criação da CPI da Casa Rosa desgaste as relações entre a Assembleia Legislativa e o Ministério Público, deputados do PSD, PP e PSDB trabalham nos bastidores para garantir que a investigação seja vista como ato isolado dos parlamentares do PT, PMDB e PSOL.

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Apesar disso, com o apoio dos três partidos, o deputado Jailson Lima, autor da proposta, já reúne as assinaturas necessárias para apresentar o requerimento de instalação.

A estratégia de pessedistas, pepistas e tucanos é não assinar ou mesmo participar da apuração das supostas irregularidades envolvendo a compra do imóvel de R$ 123 milhões, com dispensa de licitação.

A manobra foi colocada em prática ainda na semana passada, logo depois de a bancada do PMDB anunciar que assinaria o requerimento. Os deputados do PSD se reuniram e decidiram não participar, nem mesmo indicando alguém para integrar a CPI, uma vez que seja instaurada.

O entendimento dos pessedistas, replicado pelo PSDB e pelo PP, é de que o desgaste é desnecessário e pode abalar ainda mais as relações entre as instituições. Líder do PSD na Assembleia, o deputado Darci de Matos acredita que a CPI pode até desencadear uma crise, comprometendo a harmonia entre os poderes. A tese rebatida pelo líder da bancada do PT, Neodi Saretta:

– Não há crise: há um fato a ser a analisado.

Nem mesmo entre petistas e peemedebistas há consenso. Pelo menos três dos sete deputados do PT teriam dito que não concordam com a criação da CPI, mas assinaram o requerimento para acompanhar a bancada. Oficialmente, o PMDB nega que a decisão de apoiar a criação da CPI seja uma retaliação ao afastamento de Romildo Titon da presidência da Assembleia, determinada em fevereiro pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

A liminar é resultado da Operação Fundo do Poço, desencadeada pelo Ministério Público para investigar fraudes de licitações para a instalação de poços artesianos.

Três dos 10 deputados peemedebistas se manifestaram contra a investigação. Na última quarta-feira, acabaram cedendo aos apelos de Romildo Titon, que levou pessoalmente o requerimento ao almoço da bancada.

– A decisão de apoiar a criação da CPI é partidária, mas não tem nada a ver com o deputado Romildo Titon – fala o deputado Mauro de Nadal.
Pepistas e tucanos devem ser abordados pelo deputado Jailson Lima amanhã.

– Estou convencido de que a CPI vai comprovar várias irregularidades: são pelo menos
R$ 22 milhões gastos a mais do que o necessário na compra daquele imóvel – fala Jailson Lima.

DIÁRIO CATARINENSE
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