O horário eleitoral começou nesta terça-feira, dia 19 de agosto. Foram 50 minutos, em que o tema mais comum a todos os candidatos foi a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que faleceu durante a campanha eleitoral, mas que também tiveram seus momentos de apresentação de propostas e defesa das ações, por parte de quem está no governo, como em todas as eleições.

1) Cinco partidos fizeram homenagens ao ex-governador Eduardo Campos, falecido em um acidente de avião na semana passada. A começar pelo seu partido, o PSB, que abriu a propaganda eleitoral com as propostas do então candidato à Presidência: “Não à corrupção. Não à 39 ministérios. Não vamos desistir do Brasil”, diz Eduardo Campos, em mensagem utilizando as gravações feitas pelo partido antes do acidente. Completam a lista o PSDB, o PT, o PSDC e o PV.

2) Marina Silva não fala em nenhum momento deste primeiro programa eleitoral do PSB. Na verdade, aparece apenas em duas breves cenas. Em uma delas, abraça Eduardo Campos, em gravação feita quando ambos anunciaram a ex-senadora como candidata a vice-presidente.

3) Aécio Neves, no programa do PSDB, e Lula, falando no lugar de Dilma no do PT, fizeram discursos emotivos em relação à Campos. O tucano, no entanto, foi mais político. Após declarar que eram próximos e tinham muitas semelhanças, disse que seu projeto dará continuidade ao que Campos desejava para o Brasil. Lula foi mais paternal e emocionado, lembrando a época em que ele foi seu ministro, durante o primeiro governo do petista, e lamentando a perda de um político com muito futuro.

4) Aécio Neves e Dilma Rousseff falaram em propostas, mas com enfoques diferentes. O tucano adotou um discurso de choque de gestão, para fazer um “governo que gaste menos com ele mesmo para gastar mais com as pessoas.” Enquanto Dilma Rousseff destacou os números dos últimos governos do PT, afirmando que 22 milhões de pessoas saíram da miséria e o Brasil foi o “país que mais distribuiu renda e mudou seu perfil socioeconômico.”

5) Tucanos e petistas também tem visões diferentes, claro, para o ritmo fraco do crescimento econômico do país: para Aécio é culpa da incompetência na gestão, enquanto Dilma atribui a desaceleração à reflexos tardios da crise de 2008 nos Estados Unidos e da crise europeia.

6) A narrativa escolhida também foi oposta. O programa do tucano adotou um tom épico, de herói nacional. Enquanto o da petista descrevia uma mulher comum ocupando a presidência do país, para aproximar a presidente da população.

7) Apenas Dilma Rousseff já utilizou seu patrono político logo na primeira propaganda eleitoral. Lula falou em dois momentos, contando a homenagem a Eduardo Campos. No primeiro momento em que apareceu, disse em apoio à reeleição da petista: “Meu segundo mandato foi melhor que o primeiro. E tenho certeza que com a Dilma vai ser assim também”.

8) Rui Costa Pimeta, do PCO, Zé Maria, do PSTU, e Mauro Iasi, do PCB, defenderam, novamente, o fim do capitalismo e a adoção de outro sistema de governo, seja ele o socialismo ou o comunismo.

9)  Levi Fidelix, do PRTB, teve pouco tempo e disse basicamente que quer “endireitar o Brasil”.

10) Eymael não usou o seu famoso, e eterno, jingle: "Ey, Ey, Eymael / Um democrata cristão".

11) Pastor Everaldo, candidato à Presidência pelo PSC, foi o que mais se posicionou logo de cara. Disse ser a favor da família, da volta dos valores, ser contra a descriminalização das drogas, que quer menos Estado e vai entregar tudo que puder para a iniciativa privada.

12) Luciana Genro do PSOL, na outra ponta, foi a única a lembrar das manifestações de junho do ano passado, em busca de encarnar aquela indignação no que chama de um processo de mudança.

13) Muito candidatos a deputado federal, muitos discursos semelhantes a favor da família e da "saúde, educação e segurança". Mas alguns seguiram por linhas diferentes. João Rodrigues (PSD) e coronel Reinaldo (PP) largaram como primeira proposta a redução da maioridade penal.

14) “Sou João Pizzolatti Neto e quero continuar o trabalho de meu pai”, disse o filho do deputado federal João Pizzolatti (PP), que nem precisou trocar a arte da imagem ou o número. Seu progenitor foi barrado na Lei da Ficha Limpa.

15) Como que acelerando a imagem de um filme, Rejane Varela (PSB), candidata a deputada federal, tirou os bobes do cabelo, passou maquiagem e, já em velocidade normal, toda arrumada, finalizou: “A mudança tem que ser rápida.

16) E o troféu de candidatos mais caricatos a deputado federal ficou com o PTdoB. Coronel Nelson, com um espanador nas mãos, tentou reencarnar — em uma versão um pouco menor — o “varre, varre, vassourinha” que elegeu o ex-presidente Jânio Quadros. Já a outra candidata, recorreu ao slogan engraçado, com rima: “Se a política está salgada. vote na Marisa da cocada”.

DIÁRIO CATARINENSE
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