Pais de primeira viagem convivem com as alegrias e as dúvidas sobre a paternidade Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS

Papai de primeira viagem, Diogo Steinbach curte a pequena Alice

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

Ao cortar o fio da vida ele sentiu que se prendia para sempre. Essa foi a percepção do empresário da construção civil Diogo Steinbach, 31 anos, quando a doula, profissional que trata do bem-estar físico e emocional da mulher na hora do parto, deu a ele a chance de cortar o cordão umbilical da filha.

Naquela noite de 30 de julho, enquanto os ponteiros do relógio marcavam 22h07min e as luzes da sala de parto refletiam no aço da tesoura, a experiência de se tornar pai o fazia acessar algo de que acredita não ser mais possível se desvincular. O nascimento de Alice, filha com a empresária de intercâmbio de estudos Priscila Marola, 31 anos, colocou o recém pai em um embaralho de emoções. Sentimento que tende a tomar conta dos homens nessa hora.

Êxtase, medo; alegria, preocupação; conforto; inquietação. Essas são algumas das sensações que os pais, principalmente os que engatinham na função dizem sentir. Há os que choram. E os que riem de nervosos. Existem os que assumem as lágrimas. Como os que seguram a emoção.



Superado o parto, uma outra rotina e novos desafios. Historicamente a tarefa do zelo do filho estava associada ao gênero feminino. Época em que gravidez, amamentação e os cuidados eram quase que exclusivamente coisa de mãe.

Cuidar das crianças era coisa de mulher. Mas hoje existem muitos homens que ajudam na ruptura desses papéis. São bem mais esclarecidos e participativos. É comum isso ocorrer no planejamento, hora e número de filhos, na escolha da forma do parto e nos cuidados com a criança.


Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agência RBS

Mas, diferente dos pais de antes que se mostravam mais seguros sobre o como agir, os modernos se revelam com mais dúvidas. Falar ou não falar determinadas coisas, contar ou não sobre seus próprios sentimentos, impor ou não limites.

_ Não existe manual de instrução ou um passo a passo de como agir. É importante zelar pelo filho, mas perceber que a criança deve ser acostumada desde pequena a receber limites que a tornarão inclusive mais segura e pronta para viver em uma sociedade onde se deve respeitar o outro _ observa a psicóloga Cássia Wicthoff, que trabalha com psicologia escolar e clínica em Florianópolis.

Com a experiência de quase 30 anos de profissão, a profissional observa que muitos homens revelam o desejo de não repetir com o filho os erros do pai consigo mesmo. Mas a chegada de um filho também pode inspirar outras formas de afeto. O empresário Diogo Steinbach conta que o nascimento de Alice reacendeu nele a valorização do próprio pai.

_ A paternidade me fez refletir sobre a condição de também ser filho. Há 31 anos, meu pai fazia coisas para mim que eu não lembro, e isso se faz sem esperar nada em troca.

Homens, meninos; pais, filhos.

A roda da vida segue meio como como escreveu o poeta.

_ O menino é pai do homem.


Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agência RBS


Origem da data foi inspirada no Dia das Mães

Foi a comemoração do Dia das Mães que inspirou o Dia dos Pais. Contam que em 1909, em Washington, Estados Unidos, Sonora Louise Smart Dodd, filha do veterano da guerra civil, John Bruce Dodd, ao ouvir o sermão dedicado a elas queria homenagear o pai. O sentimento era porque sua mãe morreu ao dar a luz o sexto filho, assim o pai teve de criar o recém-nascido e os outros cinco filhos sozinho. Algumas fontes de pesquisa dizem que o nome do pai de Sonora era William Jackson Smart. Em 1910, Sonora enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane e a outros entidades. O primeiro Dia dos Pais norte-americano foi comemorado em 19 de junho daquele ano. Em 1924, o presidente Calvin Coolidge, apoiou a ideia de um Dia dos Pais nacional e, finalmente, em 1966, o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro domingo de junho como o Dia dos Pais (alguns dizem que foi oficializada pelo presidente Richard Nixon em 1972). No Brasil, a ideia de comemorar a data partiu do publicitário Sylvio Bhering e foi festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. Mas a data foi alterada para o 2º domingo de agosto por motivos comerciais.

 Veja também
 
 Comente essa história