Santa Catarina reforça fiscalização de ganeses em razão do surto do vírus ebola em Guiné Caio Marcelo/Agencia RBS

Mobilização começou nesta quarta-feira na rodoviária e nas casas em que estão abrigados os estrangeiros

Foto: Caio Marcelo / Agencia RBS

A prefeitura de Criciúma, no Sul, iniciou um trabalho de triagem para verificar as condições de saúde de ganeses que chegam diariamente a cidade. Eles começaram a desembarcar há dois meses em busca de trabalho e já seriam 600 no município e 2 mil na região.

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A mobilização começou nesta quarta-feira na rodoviária e nas casas em que estão abrigados os estrangeiros, nos bairros Pinheirinho e Santo Antônio. Antes de chegarem ao Brasil, os ganeses passam por Guiné, país onde há um surto do vírus Ebola.

Embora haja preocupação das autoridades municipais, o clima é de tranquilidade e não apareceu nenhum indício de ganês com problema de saúde ou qualquer sintoma relacionado à doença.

Diariamente, a média de ganeses que chegam em Criciúma é de quatro pessoas, movimento bem inferior ao registrado nos últimos 60 dias, quando o número alcançava até 30 estrangeiros.

Com uma van, funcionários da Assistência Social da prefeitura rodam de dia e de noite pontos em que os africanos costumam ficar alojados. A missão é levá-los para lugares em que estão sendo oferecidas vacinas contra gripe, tétano, hepatite B e poliomielite.

Nesta quarta-feira, numa casa no bairro Pinheirinho em que havia cerca de 50 ganeses — a maioria dorme num porão —, assistentes sociais tentavam sensibilizá-los sobre a importância da vacinação.

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Prefeitura pede ajuda ao governo

A necessidade de intensificar as ações de saúde e assistência social farão com que a prefeitura de Criciúma reforce os pedidos de auxílio ao Estado e ao governo federal.

Faltam assistentes sociais e psicólogos, principalmente que falem a língua inglesa. Também haverá pedidos de recursos financeiros para alimentação e pagamento de despesas com aluguel para os estrangeiros que não têm condição.

O DC acompanhou nesta quarta-feira pela manhã a chegada na rodoviária de Criciúma de dois ganeses e um angolano em um ônibus vindo de São Paulo. Eles foram recebidos por dois funcionários da Secretaria de Assistência Social de Criciúma, sendo um deles habilitado na língua inglesa.

Os três fizeram um cadastro e responderam a 10 perguntas como o tempo de permanência no Brasil e o motivo da viagem. No verso da folha, havia perguntas relacionadas à saúde. As principais eram se apresentavam febre, dor muscular ou vontade de vomitar, sintomas do Ebola.

"Eles estão bem, ajudam uns aos outros", afirma secretária da Assistência Social de Criciúma

Diário Catarinense — Como está sendo o trabalho de prevenção com os estrangeiros?

Solange Barp, secretária da Assistência Social — Começamos ontem (quarta-feira) com o grande número de migrantes e para evitar possível discriminação. Desde a chegada deles, a gente vai, faz as perguntas, se caso tiver suspeita a gente coloca eles em algum isolamento.

DC — O que será feito caso seja relatado algum sintoma?

Solange —  Isso que estou acertando com o prefeito e a secretária de Saúde. Não podemos na mesma hora encaminhar eles para um hospital se realmente tiver infectado. Então essa posição que vamos ter que tomar com a Saúde. Evidente que vou deixar isolado, agora aonde? É numa casa? Num centro de saúde? Vamos ter que definir um local. Felizmente até agora não chegou ninguém (com sintoma de Ebola).

DC — Mas existe então a preocupação?

Solange — Sim. Na conversa com o prefeito ele colocou tudo à disposição.

DC — A população pode ficar tranquila em relação ao assunto?

Solange — Não. Não tem nada. Das outras doenças eles estão sendo vacinados de todas. Vamos continuar durante a semana. Estamos vacinando inclusive da gripe. Eles quando chegaram não tinham vacina nenhuma, só da febre amarela.

DC — E essa vinda de mulheres ganesas agora?

Solange — Agora estão vindo. Achamos que viriam com os filhos. Algumas chegaram sem dar explicação. Os amigos disseram que são solteiras que vieram em busca de trabalho também. Temos preocupação se vierem com as crianças de onde essas crianças ficarão.

DC — Em relação à saúde, há alguma orientação do Estado ou governo federal?

Solange — Nada. É uma situação tão diferente que ninguém sabe por onde começar. É instinto. Ninguém teve preocupação se tiveram vacina. Quanto ao Ebola não há vacina, mas podemos impedir que não contamine os outros. Até agora não percebemos nada. Eles estão bem. Há comunidades montadas e eles se ajudam uns aos outros.

DIÁRIO CATARINENSE
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