Bar do Alvim, ponto de encontro em Florianópolis, inaugura dia 18 em Palhoça Charles Guerra/Agencia RBS

Depois de 57 anos no Mercado Público de Florianópolis, o novo espaço localiza-se no Centro de Palhoça

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Da esquina número 1 do Mercado Público de Florianópolis para o encontro das ruas Orlando Tancredo com Capitão Augusto Vidal, no centro de Palhoça. Ali, 18 quilômetros além das pontes Ilha e continente, renasce o Bar e Fiambreria do Alvim. As portas serão abertas ao público sexta-feira, 19. Um dia antes, às 20h, ocorre a inauguração do ponto localizado no prédio da antiga Panificadora Santista. Aos clientes conquistados nos 57 anos em que esteve atrás do balcão do Boxe 1, memorável ponto de encontro de nativos e turistas, o recado de Alvim Nelson Fernandez da Luz, 72 anos:

— Só tem uma coisa diferente de lá, o espaço. Eram 56 metros quadrados e agora são 306 metros quadrados. As porções, os petiscos e o chope gelado estão garantidos.

 
Foto: Charles Guerra / Agência RBS

Quem chega já é surpreendido por um deque sobre a calçada da Orlando Tancredo. No alto, painéis com antigas fotografias. Na parte interna, dois espaços. O primeiro salão tem lugar para 50 mesas. O segundo é um pouco menor e funcionará como reservado para festas — com choperia exclusiva para mais conforto dos fregueses. Nas paredes, retratos da Florianópolis de antes, dos tempos em que a água do mar trazida pelo vento batia na porta do boxe demolido no processo de revitalização do Mercado Público. O empresário não venceu nenhuma das duas licitações realizadas pela prefeitura para reorganizar os boxes.

Exceto o espaço mais amplo, o resto continuará quase igual ao Boxe 1. A equipe de funcionários é a mesma. O garçom Marcelo Vidal, que por 20 anos serve a freguesia, virou sócio. Assim como a esposa dele, Silvana Wagner, a qual se mantém no comando da cozinha. Ao casal, inclusive, foi feita uma exigência pelo comandante Alvim: morar no andar superior. Por falar em acessos, aquele velho elevador erguido com correntes e que muitas vezes enguiçou no sobe e desce levando cliente para o banheiro está guardado como peça de museu.

Além de não combinar com o ambiente "meio fresco", como brincará Mestre Rato, o novo bar segue as exigências legais. Possui sanitários distintos para homens, mulheres e cadeirantes. 

— Não é chique não, pois os manezinhos não gostam de luxo. Gostam é de coisa elegante — compara Simone Fernandes da Luz, filha e sócia, e que com o filho Alvim Fernandes assume o caixa e a parte administrativa da empresa.

— Eu? Eu continuarei pesando bacalhau, dando uma olhada na cozinha, conversando com os clientes e amigos — avisa o bigodudo Alvim.

Por enquanto, o horário de funcionamento será das 10h às 22h. Como o próprio Alvim diz que "é o cliente que faz o bar", a turma mais boêmia pode manter a esperança: os bombeiros deram autorização para até as 23h59min.

"Procuro não ter mágoas"

O tradicional Bar do Alvim nasceu Fiambreria do Espinoza. A história durou 57 anos, desde que o pai comprou da prefeitura o espaço no Mercado Público de Florianópolis. No começo funcionava como açougue, mas o serviço foi ampliado para atender a clientela. Apesar de empolgado com a nova casa, o comerciante ainda se emociona quando fala do antigo lugar onde trabalhou por décadas e cultivou amigos.

Diário Catarinense — Foi difícil você deixar o Mercado Público depois de tantos anos. Como você se sente vendo o novo espaço quase pronto?

Alvim Nelson Fernandez da Luz — A emoção é grande. Nós não tivemos a mínima chance, quando vimos o processo estava todo andando.

DC — Alguma mágoa?

Alvim — Procuro não ter. Eu sei o que sou e o que posso ser.

DC — Você acredita que a clientela moradora na Ilha virá para curtir o bar?

Alvim — O nosso boxe era ponto de encontro para muita gente que só conversava lá. Já tem alguns vindo aqui nos abraçar e dizer que nunca mais viram fulano, beltrano. Eu convido a todos a retomarem isso.

DC — Com a experiência de tantos anos: é o bar que faz o cliente ou o cliente que faz o bar?

Alvim — Eu acho que o cliente é que faz o bar.

DIÁRIO CATARINENSE
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