"Lages nunca havia registrado uma catástrofe dessa dimensão", avalia Defesa Civil municipal Cristiano Estrela/Agencia RBS

Moradores da Vila Nova mostram os estragos provocados pela queda de granizo

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Embora a Defesa Civil de Lages já esteja habituada a enfrentar problemas como chuva de granizo, temporais e enchentes, o evento desta segunda-feira foi uma das piores catástrofes já registradas na cidade, conforme a avaliação do secretário de Meio Ambiente e vice-secretário de Defesa Civil, Mushue Dayan Hampel Vieira. Isso porque, além da completa imprevisibilidade, a chuva de granizo afetou diretamente pelo menos 60% da cidade.

— Ainda estamos no meio do evento, não há como fazer uma estimativa exata dos danos. Porém, uma enchente afeta áreas de risco. Você consegue fazer o mapa da catástrofe com três dias de antecedência, avisar os moradores, se preparar. A chuva de granizo, não; até pouco antes, ninguém imaginava o que aconteceria — afirma Hampel.

Segundo o secretário, Lages foi atingida por outra tempestade de granizo, mas muito menor. Foram sete bairros atingidos, com poucas casas realmente danificadas. Desta vez, segundo estimativa da Defesa Civil, foram pelo menos 60 dos 72 bairros do munícipio.

Lonas e telhas do Estado inteiro devem começar a chegar ao pátio da Secretaria do Meio Ambiente na tarde desta terça-feira, a partir das 17h. De lá, os materiais serão reencaminhados às casas dos moradores que se cadastraram na Defesa Civil.

A primeira remessa de telhas a Lages — cerca de 20 mil telhas fornecidas pela Defesa Civil estadual e pela Caixa Econômica, segundo Hampel — deve chegar à cidade até as 22h, mas a distribuição segue até que a situação se normalize.

Pelo menos dez caminhões do Exército e da Prefeitura foram disponibilizados exclusivamente para o transporte de telhas. Caso não seja possível atender a todos os moradores, mais lona será distribuída.



Maércio Ademir Elias em frente à sua casa Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS 

Defesa Civil busca doações para afetados pelo granizo

Na tarde desta terça-feira, 70 pessoas ainda estavam alojadas no 10º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército (10º BEC), onde também foi improvisado um centro de atendimento médico após o Pronto Atendimento Municipal Tito Bianchiniter parte de sua cobertura destruída.

— Há também aqueles que foram pra casa de amigos de parentes, então é impossível saber quantos foram os desalojados.

Na noite de segunda-feira, foram distribuídos mais de 4 mil kits de lona, cada um com um pedaço de sete por oito metros do material. Hoje, segundo estimativa de Hampel, foram mais 2 mil.

Além de todo o trabalho do poder público, ao menos 90 pessoas se ofereceram para trabalharem, como voluntários na distribuição de fichas, de matérias de construção e na organização das filas, por exemplo. A prefeitura também pede doações, especialmente de telhas, lonas e colchões.

— Quando vários setores da sociedade se unem, quem ganha é a população – conclui o secretário Hampel.

DIÁRIO CATARINENSE
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